Celito De Grandi

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014 às 22:26

O circo, os protestos, o voto

Está começando um ano de extremo interesse para nós, brasileiros.

Dois acontecimentos em especial vão nos mobilizar: a Copa do Mundo de futebol e as eleições de outubro, para escolha do presidente da República e de governadores, além de representantes nas Assembleias dos Estados, Câmara dos Deputados e Senado Federal. 
Não é pouca coisa. 
Tem muito circo, e não sou contra ele. 
Gosto de assistir pela TV a um grande jogo de futebol, sem concordar com os absurdos que se cometem em nome dele. 
Não é por nada que os protestos do ano passado tiveram nos gastos inexplicáveis com a Copa uma de suas razões. 
Como entender a construção de estádios ''padrão Fifa'' onde nem sequer existem clubes de expressão, como é o caso das Arenas do Pantanal e da Amazônia? 
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Recebi, a propósito das depredações ocorridas durante as manifestações de junho, pesquisa realizada pelo Instituto Methodus, no Rio Grande do Sul, gentileza da supervisora Flávia Scheffer. 
É interessante saber o que pensam os gaúchos. 
Dos entrevistados, 92,3%  não concordam com as depredações e classificam esses manifestantes da seguinte forma: são criminosos que se aproveitam do momento para roubar e saquear (63,9%); pessoas ligadas a movimentos anarquistas (31,1%); ligadas a partidos políticos (26,9%) e pessoas que agem sozinhas e só se reúnem no momento de depredar (22,1), além de outros 10,1%. Respostas múltiplas, claro. 
Quanto a punições para os depredadores: 50,8% querem prisão; 21,4%, detenção; 12,3%, advertência; 7%, pagamento pelos estragos causados e 6,7%, realização de trabalhos comunitários, além de outros 2,7%.
Finalmente, 85,9% dos gaúchos são a favor da proibição do uso de máscaras durante as manifestações. E o mais importante: 62,3% não sabem o que são os Black Blocs e apenas 37,7% responderam conhecer ou já ter ouvido falar.
É bom procurar saber um pouco mais, porque eles estarão de volta às ruas, durante a Copa do Mundo, como já anunciaram nas redes sociais. 
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Manifestar-se democraticamente nas ruas, como ocorreu no início dos protestos, é um instrumento de pressão extremamente válido. 
Mas, atenção. 
Se se quiser que as vontades expressas dessa forma tenham resultados efetivos, é bom pensar desde já sobre como votar em outubro. Nem todas as candidaturas estão definidas, é certo, mas também é correto listar desde agora aqueles que estão aí na vida pública, alguns há muitos e muitos anos, e não devem merecer o seu voto. 
Também é bom lembrar que foi com pão (Bolsa Família?) e circo que os Césares mantiveram durante largo tempo o domínio sobre seus súditos, no Império Romano. Até que tudo se esboroou. 
Não deixemos que se esboroem em definitivo as nossas esperanças, por mais descrentes que se esteja com os rumos do país. 
O grande instrumento democrático para isso é exatamente o voto consciente e responsável. 
 


Por: Celito De Grandi

 
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