Afonso Motta

sábado, 7 de dezembro de 2013 às 0:14

Posicionamento social

Contribuir para melhorar a vida dos mais pobres é um posicionamento pelos milhões que não tem banheiro, água corrente,...

...atendimento à saúde e se alimentam precariamente. Em maior ou menor dimensão é o que acontece mundo afora e no Brasil também. Esse posicionamento é que motiva a impaciência, inconformidade e a paixão pelo bom debate na busca de encontrar caminhos para um mundo melhor. Mas só com muita energia física e permanente estímulo intelectual é possível enfrentar as simplificações, os interesses e particularidades daqueles que veem o mundo a partir da sua perspectiva pessoal ou do grupo que representam. Ser conservador não é pensar diferente, o que, em certo sentido, é até vanguarda, mas sim não permitir o contraponto ou a reflexão de dimensão. É essa compreensão que justifica investir um tempo da vida na realização do bem comum e da inclusão. É, acima de tudo, um imperativo moral que precisa ser sentido em um mundo com avanços tecnológicos impressionantes e extraordinária acumulação de riqueza. Por isso, a realização material, o trabalho e o empreendimento de qualquer natureza na atualidade precisam ser compatibilizados, com a responsabilidade social, indispensável para o equilíbrio da sociedade. Todos que são bem sucedidos devem perguntar e refletir sobre as razões da sua trajetória. Certo é que a sociedade desigual e individualista ainda permite ascensão a quem trabalha desde cedo ou consegue se diferenciar pelo conhecimento ou formação. Mas é um grande desafio, porque as oportunidades não são iguais e nem todos têm acesso à educação. A morte das crianças e a falta de educação em tempo integral para os mais pobres demonstra que os governos não têm a capacidade de resolver as questões mais urgentes da sociedade. O mundo moderno traz tantas exigências para a política pública, na mobilidade urbana, segurança e estrutura da saúde, apenas para exemplificar, que o básico da inclusão fica desatendido, apesar da atual proliferação de programas sociais. É preciso, sim, a atitude e a compreensão do cidadão para realmente termos um grau de avanço humanista e social no Brasil e no mundo. Nesse sentido, é preciso influenciar o processo e convencer para as coisas acontecerem diferentemente. Para a política pública ter efetividade na construção de uma ponte, uma estrada ou na transferência de mais recursos para a saúde pública. É importante o toque humano em tudo que se faz e conquistar apoio político para, através de relações públicas e privadas, desenvolver parcerias que superem essas questões essenciais da miséria e da desigualdade. A exigência, porém, é ser intenso e incansável para não desistir diante das adversidades. Ter o poder da ubiquidade, para estar em todos os lugares ao mesmo tempo é quase uma imposição para essa atividade social e política. É bom saber, entretanto, que tudo conta, o detalhe é fundamental e exige tempo e trabalho. Esta é, antes de tudo, uma lógica pessoal de aprendizado permanente que dá motivação para continuar sendo otimista apesar dos grandes desafios da humanidade.


Por: Afonso Motta

 
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