Editorial

segunda-feira, 20 de março de 2017 às 0:00

Crise moral e política

O Brasil vive uma crise moral, ética e política jamais vista. No dia em que a Lava Jato, maior operação de combate à corrupção e lavagem de dinheiro do País completou três anos, os brasileiros amanheceram estarrecidos com outro megaesquema descoberto pela Polícia Federal, a Operação Carne Fraca, envolvendo frigoríficos que vendiam carne estragada. O caso assustou consumidores e deixou países que compram o produto do Brasil receosos com o que viram. Investigações da Polícia Federal apontam que o megaesquema envolve pagamento de propina a fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para que fizessem vista grossa, deixando os frigoríficos livres para vender carne estragada. O Brasil vive uma crise de representatividade dos partidos políticos, a tal ponto que parte do dinheiro ilícito oriundo desse crime servia para financiar, segundo as investigações, dois partidos tradicionais. Os apadrinhamentos promovidos por partidos que ocupam o poder e que deveriam zelar pelos interesses públicos, ao contrário, mostram essa degeneração moral que atravessa o País e que coloca em xeque a credibilidade do Brasil no cenário internacional, e sobretudo atinge de forma tão vil o consumidor. Mais uma vez está escancarado o concluio entre o setor privado e políticos influentes. Entidades ligadas ao setor pecuário que trabalham com afinco em nome do produtor, que é o responsável pela geração de riqueza do Brasil, tiveram que vir a público se manifestar em defesa de um dos produtos mais importantes do País, a carne. A Associação Brasileira de Angus, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) enalteceram a importância da bovinocultura para o País e defenderam apuração rigorosa sobre os fatos apontados na investigação. A Abiec afirma que os casos que vieram a público por meio da Operação Carne Fraca são isolados e não representam a imensa cadeia produtiva de carne bovina no Brasil. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que teve fiscais apontados no esquema, afirmou, por meio de nota, que o Serviço de Inspeção Federal brasileiro é considerado um dos mais eficientes e rigorosos do mundo. O domingo foi de reuniões em Brasília do presidente Michel Temer com ministros e embaixadores dos principais países importadores de carne brasileira para discutir medidas sobre esse novo escândalo que atingiu o País.


Por: Márcia Sousa

 
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