Dilce H. dos Santos

terça-feira, 14 de março de 2017 às 0:00

A resposta pode estar em outro lugar

Tantas inquietações, medos, decepções, perdas e sobressaltos que a vida impõe que ficamos em busca de respostas e explicações. Carecemos de uma orientação. O que fazer? Como posso compreender? Qual é a melhor atitude? Como ajudar alguém amado que está sofrendo? Será que tudo isso que sinto é normal?
Essas e tantas outras perguntas que a humanidade se faz desde que o homem tem consciência de si mesmo e de sua finitude continuam mais vivas e intensas do que nunca. A religião, a filosofia, os gurus e oráculos de todo o tipo podem hoje contracenar perfeitamente com psicoterapeutas e psiquiatras. E todos eles perdem feio para a internet. Ela e seus braços, as redes sociais, acolhem e aconselham - bem ou mal - as angústias de várias idades, faixas sociais e momentos de vida.
Não tenho a menor intensão de demonizar a rede mundial, isso seria um erro tão grande quanto considerá-la a panaceia da era atual. As respostas podem estar onde sempre estiveram, em outro lugar.
Talvez, apenas talvez, cogite a possibilidade de que:
- A dor de se sentir diferente não seja aplacada apenas participando de um grupo ou categoria que impõe o que fazer.
- A angústia de sentir-se incompreendido não possa ser resolvida com frases de efeito, na maioria das vezes sem o autor.
- Um conflito com pessoa bastante íntima não tenha desfecho apropriado com desabafos em público.
- A falta de sentido para a própria existência não possa ser preenchida com jogos ou bate-bocas incessantes e superficiais sobre fatos irrelevantes do dia a dia.
- Encontrar pessoas que passaram por situações semelhantes e copiar as soluções que elas descobriram pode trazer problemas bem mais sérios que os atuais.
A hipótese que sugiro é simples. Atualmente a procura está totalmente voltada para fora, para os outros e a troca incessante de informação. O que seria muito bom não fossem as doses maciças e intoxicantes, pois não há tempo para o conhecimento uma vez que é a era da informação, e são coisas bem distintas.
Quem sabe voltar-se para si? Para as muitas vozes interiores que todos temos e tentar identificá-las? Descobrir o que é intuição, o que é medo, o que é vaidade e o que é puro desejo de destacar-se e ser alguém reconhecido. O que é sagrado, o que é eterno, pelo que vale lutar e o que são realmente aspirações da alma, de nossa existência efêmera e o que necessitamos fazer para plenamente termos identidade e nos tornarmos quem realmente somos. Onde estariam respostas não ouso dizer, mas me arrisco a afirmar onde não estão. Certamente, não estão no mundo exterior!


Por: Dilce Helena dos Santos - psicóloga

 
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