Cidade

terça-feira, 14 de março de 2017 às 0:01

O fim da era de ouro das videolocadoras

Única empresa do setor instalada na principal avenida de Bagé aposta em serviços para superar a concorrência

Carneiro afirma que paixão pelo cinema e pelo negócio o prendem ao segmento - Créditos: Antônio Rocha
Carneiro afirma que paixão pelo cinema e pelo negócio o prendem ao segmentoAntônio Rocha

Locais que já foram pontos de encontro entre famílias e amigos, na década de 1990, as videolocadoras vêm caindo no ostracismo nos últimos anos. Com a popularização de serviços de streaming, como o Netflix, a facilidade de acesso à internet e aos filmes disponíveis na rede, estas empresas enfrentam dificuldades para renovar seus públicos. A principal qualidade de quem ainda consome cinema por meio do tradicional sistema de aluguel é a fidelidade. Adjetivo que sustenta a presença de uma representação deste mercado no coração de Bagé.
Na época de maior sucesso das fitas cassete e durante início do advento dos DVDs haviam, pelo menos, seis videolocadoras apenas na avenida principal da cidade. A grande maioria das empresas do ramo instaladas no município fechou as portas nos últimos 10 anos. Poucas sobreviveram, e com dificuldades. Uma destas resiste às transformações há mais de duas décadas. A Iguaçu, única do setor ainda instalada na avenida Sete de Setembro, está no mesmo ponto desde 1995. Foi ali, em meio às prateleiras brancas lotadas de filmes, que muitas amizades se formaram e amores foram inspirados por romances cinematográficos.
O proprietário, Ney Minotto Carneiro, conta que trabalha com locação de vídeos desde 1990. Já com a Iguaçu, na esquina da avenida Sete com a rua Mélanie Granier, está instalado há quase 22 anos. 'O ponto', ele destaca, 'é um atrativo'. "Sei que talvez não estivesse mais funcionando se o ponto não fosse tão bom", disse. E mesmo frente às adaptações necessárias para sobrevivência do negócio, ainda é um aficcionado pelo cinema e pelo ramo que escolheu para trabalhar. "É muito difícil largar, porque foi uma coisa que me acostumei a fazer a vida toda. Insistir em um negócio que está em crise é caso de paixão mesmo", analisa.

Diferentes concorrentes
Ele relata que apesar de já ter tido momentos de queda nas locações antes (como a época da chegada da NET em Bagé), nenhuma foi como agora, principalmente nos últimos três anos. A redução é atribuída aos concorrentes legais e ilegais.
Carneiro destaca a pirataria, as antenas piratas e o download de filmes. O empresário esclarece que a contravenção já perdeu um pouco de espaço. "A qualidade é muito baixa, então muitos clientes recorrem às locadoras porque sabem da qualidade do serviço pelo qual estão pagando", destaca.
Já entre os concorrentes legais, como NET e Netflix, ele destaca: "As concorrências legais são mais fáceis de competir, porque o mercado se adapta a elas". Diferente da locadora, ele ressalta que as alternativas têm um número de filmes limitado, com muita repetição e poucas opções de lançamentos.

Fidelidade
São os clientes fiéis, que não trocam o ambiente da locadora por uma tela de computador, que tocam o negócio de Carneiro para frente. "O movimento ainda é bom, temos clientes que gostam de vir aqui, pedir indicações de filme, com quem criamos um vínculo. Quem procura a locadora está atrás da qualidade e da convivência que o ambiente proporciona", observa.
O perfil de clientes da loja hoje é de casais jovens, principalmente, alguns com filhos. "Procuram uma diversão barata. Com R$ 6, locam um lançamento e toda a família assiste".

Inovação
Ainda que tenha público cativo, Carneiro se viu obrigado a inovar. Além dos serviços de conveniência que passou a oferecer, como café, pipoca, sorvete, também investiu em promoções. A principal dá ao cliente um DVD original na locação de três filmes. Em breve, também oferecerá o serviço de delivery de filmes, escolhidos a partir do site da locadora, com mais de 10 mil títulos disponíveis. "Por enquanto, apenas a consulta dos filmes está disponível. Mas em breve estaremos com o delivery. O cliente escolhe pelo site e levamos o filme até ele", adianta.
Mesmo frente às dificuldades que o negócio enfrenta, o empresário não pensa em mudar de segmento. "Por enquanto estou pensando em reinventar o negócio e torná-lo mais atrativo, mas não penso em sair do ramo", conta.


Por: Melissa Louçan

 
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