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sábado, 11 de março de 2017 às 0:00

A ginecocracia parlamentar bajeense

Os primeiros grupos humanos eram nômades, deslocavam-se pelos espaços abertos sem rumo ou meta. O horizonte era seu desafio, a caça como sobrevivência; e as guerras contínuas com outras hordas até para manter os domínios provisórios; também a promiscuidade sexual, aonde desde muito cedo as jovens se entregavam à prática, sem considerar qualquer parentesco, então inexistente; não havia a ideia de paternidade, nem de família estruturada em graus, como hoje acontece, o incesto era permitido.

A ginecocracia parlamentar bajeense


#Texto publicado em maio de 2012 no Jornal Minuano

Os primeiros grupos humanos eram nômades, deslocavam-se pelos espaços abertos sem rumo ou meta. O horizonte era seu desafio, a caça como sobrevivência; e as guerras contínuas com outras hordas até para manter os domínios provisórios; também a promiscuidade sexual, aonde desde muito cedo as jovens se entregavam à prática, sem considerar qualquer parentesco, então inexistente; não havia a ideia de paternidade, nem de família estruturada em graus, como hoje acontece, o incesto era permitido.
Todavia algo peculiar se manifestava: o governo das mulheres, exatamente por que em seu entorno se reuniam os descendentes, eis que a maternidade já um dado experimental, o parto indicava a relação biológica, os filhos circundavam a mãe.
Esse pequeno nicho comunitário indica os primeiros vagidos do matriarcado, a forma de gestão pela linhagem feminina é o embrião de uma ginecocracia.
Na sociedade rural brasileira que marcou grande parte do século vinte, a mulher observava uma existência subserviente; dominada, submetida à chefia do varão, sem outros direitos que os de contribuir com prole numerosa - até para manter o patrimônio -, administrar os serviços domésticos e transmitir aos filhos, pela educação, as idéias da supremacia masculina e patriarcal.
A industrialização, a urbanização e principalmente a transferência do processo educacional ao Estado permitiu que as mulheres abrissem os olhos ao mundo, saíssem da penumbra onde estavam colocadas e assomassem aos palcos da autonomia e da disputa; registre-se que o voto feminino aconteceu apenas nos anos trinta.
A realidade hoje mostra a presença feminina em todos os setores como o magistério - sua antiga vocação-, na magistratura, nos colegiados políticos, nos governos, nas empresas, nos bancos, nas instituições públicas. E também nos parlamentos.
É original no país e chama a atenção o que ocorre na composição da edilidade bageense: as mulheres são majoritárias entre os vereadores eleitos!
Nas primeiras eleições municipais após a redemocratização, finda a etapa getuliana, as urnas levaram à Câmara a professora Lígia Farinha de Almeida, que acabaria por destacar-se por sua coerência de vida, independência, conteúdo político trabalhista e liderança, hoje nome que enfeita o plenário; depois, solidificada a confiança popular no exercício feminino, vieram Cármen Almeida, Santa Geneci Scoto da Silva, Marília Loguércio Ferreira, Nádia Messerlian La- Bella, Elda Maria Blóis Gasparri.
E agora Jussara Hochmüller Carpes, Adriana Lara, Sônia Mara Gomes Leite, Cláudia dos Santos Souza, Aura Stélia Centeno Pereira e Cármen Sílvia Lacerda Vargas, compõem a tranqüila maioria que forma a verdadeira ginecocracia parlamentar; e que se não fossem as diferenças partidárias que geram eventuais discrepâncias, podiam descansar numa suave hegemonia.
E que presume, em tempos mui breves, colocar uma mulher no trono municipal.
Salve, rainha.


Por: José Carlos Teixeira Giorgis

 
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