Marcelo Teixeira

sábado, 11 de março de 2017 às 0:00

As quatro operações do amor

É praticamente impossível definir amor com uma palavra ou frase só, como tentam fazer os dicionaristas ou aqueles que se atrevem a descrever o indescritível. Nosso vocabulário também não colabora muito, pois a palavra amor é ampla demais e abrange diferentes formas e objetos deste que seria o maior sentimento humano. Já no vocabulário grego a palavra amor apresenta três dimensões distintas: eros, philos e ágape. Um nome diferente para cada tipo de amor e/ou do destinatário deste sentimento. Eros seria o amor romântico, erótico, que, em regra, inclui atração física e envolvimento sexual. Philos seria o amor virtuoso, desapaixonado, destinado a familiares e amigos. Ágape seria o amor divino, o amor a Deus ou de Deus, o amor a todos, inclusive aos inimigos e desconhecidos.
Como definir de forma concisa e objetiva algo tão abrangente e complexo?
Assim, não dá para condenar quem não conseguiu definir ou descrever com palavras o sentimento que denominamos de amor. Além dos dicionaristas, filósofos, poetas, músicos, escritores etc, desde sempre tentaram fazer isso, mas em vez de chegar a uma conclusão ou construir uma bela síntese, revelaram tantas nuances e deram tantas e diferentes descrições que apenas confirmaram a imensurável amplitude do amor.
Por tudo isso, é óbvio que não vou me arriscar a fazer alguma definição de amor, mas inspirado por um "hit" do Carnaval do Cassino resolvi refletir sobre um aspecto do amor que nunca tinha me ocorrido. A música "O nosso santo bateu" da dupla Matheus e Kauan, em determinado momento diz "E no fundo todo mundo espera um amor que venha pra somar."
Aquela história de que quem busca o amor busca a metade da laranja, pressupõe que quem ainda não o achou estaria incompleto, não seria inteiro e, assim, estaria dependendo de outra pessoa para se completar, para ser inteiro e feliz. Já a música diz que o amor de outra pessoa tem que vir para somar, ou seja, acrescentar mais felicidade para quem já conseguia ser feliz sozinho, reforçando a ideia de que só consegue amar os outros quem já ama a si mesmo.
E, como diz o Frei Álvaro Bordignon, o amor de um casal pode ser algo tão intenso que chega a "virar gente", ou seja, aquele amor que veio para somar pode, também, multiplicar, transformando um casal em uma família. Dá para dizer, neste caso, que na matemática do amor um mais um pode ser igual a três, pelo menos.
O amor serve também para dividir. Despesas, encargos, responsabilidades quando assumidas por mais de uma pessoa faz com que o fardo fique menos pesado para todos, facilitando o enfrentamento dos desafios cotidianos. Por fim, para fechar as quatro operações, o amor também pode diminuir as tristezas, angústias, solidão e todas as coisas ruins que a vida pode nos reservar. E esse amor que soma, além de multiplicar, dividir e diminuir, ainda nos traz a sensação de pertencimento, de que somos importantes, que fazemos falta e que fazemos a diferença, enfim, tudo que é fundamental para nossa autoestima, nossa saúde mental e tranquilidade espiritual.


Por: Marcelo da Costa Teixeira

 
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