José Artur Maruri

sábado, 11 de março de 2017 às 0:00

O ouro intransferível

Impressionante a ousadia da declaração do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, em entrevista concedida para o portal BBC Brasil, na última semana.
  O também ministro do Supremo Tribunal Federal disse que as empresas fazem a "opção" de doar para campanhas por meio de caixa dois (fora da contabilidade oficial) para evitar serem achacadas por outros políticos, principalmente governistas. "A princípio, para o candidato seria indiferente, seria até melhor que ele recebesse pelo caixa um", reforçou. O ministro afirmou também que é "absolutamente normal" candidatos ou dirigentes partidários pedirem recursos a empresas.
  A surpreendente declaração do ministro, tornando público algo de que de que já éramos sabedores, somente encontra explicação se levarmos em consideração o exposto por Jan Woischnik, diretor da Fundação Konrad Adenauer, instituição benemerente alemã, financiadora de pesquisas na área de ciências políticas, ao portal DW:
  "Eu posso dizer que no Brasil existe uma certa cultura da corrupção no cotidiano, seja em relação a poucas somas de dinheiro, alguém que fura um semáforo vermelho e suborna um policial... São atos considerados muito normais no país. (...) Em situações importantes, como a corrupção na política, temos que nos comportar seriamente, até porque elas afetam a vida em sociedade".
  Olhando por esse viés até parece que o Brasil não é um país sério, no entanto, Allan Kardec, em março de 1859, na Revista Espírita, já indagava, acerca da tão afamada corrupção, ao espírito de Plínio "o Moço", na época desencarnado há 1743 anos, tendo vivido na Roma de Trajano.
  "Allan Kardec - sem pretender absolver nosso século, parece-nos que ainda é preferível àquele em que vivestes, onde a corrupção atingia o seu apogeu e a delação nada conhecia de sagrado. Resp. (...) O homem do presente, sobretudo os povos do Ocidente, os franceses particularmente, têm o coração pronto para fazer grandes coisas, mas isso não passa de um relâmpago. Logo vem a reflexão e a reflexão pondera e diz: o positivo, o positivo antes de tudo; e o dinheiro e o egoísmo voltam a tomar a frente. Nós nos manifestamos justamente porque vos afastais dos grandes princípios dados por Jesus".
  Pela resposta do espírito de Plínio, resta-nos claro que os franceses, à sua época, e o Brasil, na atualidade, estavam - e estamos - preparados para grandes realizações em torno do projeto de redenção da Terra, no entanto, como outrora, o dinheiro e o egoísmo voltam a tomar à dianteira e, assim, nos afastamos dos princípios de Jesus que envolviam o amor do belo e do nobre.
  Por outro lado, queremos crer que a voz do ministro, assim como a avaliação do estudioso, se encontram isoladas, visto estarmos vivendo os tempos de regeneração da Terra, onde as aquisições de custo fácil serão tidas como vulgares, em detrimento aos trabalhos no bem, com esquecimento do egoísmo, desinteressado de si próprio, onde se colocam acima dos caprichos da personalidade os objetivos da Obra de Deus, adquirindo, indiscutivelmente, o ouro eterno e intransferível.
  "Nada difícil ao homem comum perseguir as possibilidades financeiras, aliciar interesses mesquinhos, inventar mil recursos para atingir os fins inferiores; entretanto, os que adotam semelhante norma desconhecem o caráter do sagrado do mais humilde patrimônio que lhes vai às mãos, abusando da posse para sentirem-se, depois, mais empobrecidos que nunca. (...) Para que um homem se enriqueça, deve adquirir o ouro provado no fogo, fortuna essa que procede das mãos generosas do Altíssimo". - Emmanuel.

(Referências: Portal BBC Brasil. http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39227149. Acesso em 10/03/2017. Portal DW. http://www.dw.com/pt-br/cultura-da-corrup%C3%A7%C3%A3o-torna-dif%C3%ADcil-mudar-sistema/a-37850068. Allan Kardec. Revista Espírita. Março de 1859. p.129. Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel. Caminho, Verdade e Vida. FEB Editora. p.285-286)


Por: José Artur M. Maruri dos Santos

 
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