Saúde

segunda-feira, 6 de março de 2017 às 0:00

Volta às aulas com atenção focada na saúde das crianças

Mais de sete mil estudantes retornaram às aulas hoje em Bagé. A reunião com os amigos e a volta às salas de aula costumam ser um período celebrado pelos estudantes

Volta às aulas com atenção focada na saúde das crianças - Créditos: Reprodução
Volta às aulas com atenção focada na saúde das criançasReprodução
Renata Vitral - Avaliações podem ser realizadas em crianças a partir de dois anos - Créditos: Arquivo pessoalPeso na mochila não deve ultrapassar 10% do peso do indivíduo - Créditos: ReproduçãoCerto e errado da mochila - Créditos: ReproduçãoCerto e errado da mochila - Créditos: Reprodução

Volta às aulas com atenção focada na saúde das crianças

Mais de sete mil estudantes retornaram às aulas hoje em Bagé. A reunião com os amigos e a volta às salas de aula costumam ser um período celebrado pelos estudantes. Já para os pais, é um período de observação e cuidado, principalmente com a visão e a postura, que podem dificultar não apenas o processo de aprendizagem, mas alterar a vida futura da criança.

Problemas de visão podem afetar aprendizagem das crianças
Retornar à escola  é um bom momento para que os pais e responsáveis verifiquem como está a saúde dos olhos das crianças. Vindo de um período de descanso, é na sala de aula que os estudantes costumam perceber os problemas de visão, já que o ato de copiar do quadro e ler podem se tornar mais difíceis.
A médica oftalmologista Renata Vitral explica que os problemas de visão detectados precocemente podem ser trabalhados e revertidos em crianças menores de sete anos. Por isso é importante a atenção dos pais e professores às dificuldades dos pequenos. "A maioria dos casos em que se consegue diagnosticar até os sete anos de idade são corrigíveis. Até mesmo o estrabismo, que conseguimos manter a acuidade visual da criança", afirma.
A oftalmologista conta que, muitas vezes, as pessoas notam que não enxergam direito de um olho. Ela conta que isso, geralmente, resulta da falta de estímulo durante a infância. "Se a criança não percebe que tem dificuldade para enxergar em um dos olhos, não vai ser corrigido, não vai ser estimulado, neurologicamente falando. Quando adulta essa criança vai ficar com a deficiência na visão", diz.
Entre as crianças, os principais problemas de visão são hipermetropia e miopia. A recomendação é que sejam avaliadas por um médico oftalmologista a partir dos dois anos de idade. Se houver histórico de problema de visão na família, a avaliação deve ser feita antes. Além disso, Renata explica que os prematuros devem ser avaliados de seis em seis meses.
A profissional conta que os pais devem estar atentos à mudança de comportamento dos filhos, como muita coceira nos olhos, piscar muito ou se aproximar do que está tentando ver ou ler. "Até movimentação ocular deve ser observada. Por exemplo, existe o estrabismo acomodativo, que os pais geralmente não percebem, porque o olho desvia, mas é quase imperceptível. Essa é uma questão simples de tratar, que pode ser indicada em uma avaliação anual", explica.
Para evitar que os problemas se desenvolvam, a médica aponta que os pais devem cuidar a exposição de seus filhos ao sol, pois pode afetar seriamente a visão, até mesmo dos menores. "A radiação solar é muito forte e a criança a partir de dois anos já pode usar óculos solar para proteção", afirma. Além disso, entram na lista dos perigos para os olhos o excesso de uso de celular, computadores, vídeo game e televisão. "O ideal é que a exposição diária seja de, no máximo, duas horas", fala.
A oftalmologista alerta que muitos adultos temem levar as crianças ao médico porque temem o uso do colírio para dilatar a pupila. Mas tranquiliza, explicando que não há problemas no uso do líquido. "Não há risco, é uma coisa que usamos cotidianamente há muitos anos. O tempo de dilatação é diferente para cada criança. Algumas ficam quatro horas com a pupila dilatada, outras chegam a 48 horas, mas não tem efeito colateral nenhum. Em alguns nem é necessário usar", garante.

Qual o peso ideal na mochila?
Cadernos, livros, estojo lotado, lanche, livro, tablet, celular. De dentro da mochila de uma criança em idade escolar, saem os mais diversos acessórios. Muitos, além dos itens necessários em sala de aula, ainda carregam jogos e outras utilidades de distração para a "hora do recreio". Não raro, vemos nas ruas crianças carregando mochilas quase tão grandes quanto elas. Mas esse excesso de peso também é outra preocupação dos pais no início do ano letivo As bolsas pesadas podem ocasionar danos sérios à postura dos pequenos.
As fisioterapeutas Ana Colpo, Ionara Hoffmeister e Eliane Tavares explicam que embora a comunidade científica não tenha ainda identificado a quantidade de carga crítica por criança, acima da qual ela estaria sujeita a problemas na coluna vertebral, vários autores concordam que a quantidade de carga transportada não deve exceder a 10% da massa corporal do indivíduo.
Além do peso, a forma de carregar pode afetar a postura. Por isso, são essenciais os cuidados tanto com a carga quanto com a maneira como a mochila é transportada. "Por exemplo, as alças devem ajustadas ao corpo. A mochila deve estar acima da linha da cintura e ser levada nas costas, de modo que a distribuição do peso seja uniforme", explica Ana.
As fisioterapeutas indicam, ainda, que a sobrecarga nas articulações, com aplicação de peso acima dos limites, pode produzir lesões que sucessivamente produzem dor, cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração.  "Hábitos posturais incorretos adotados desde o Ensino Fundamental podem gerar alterações irreversíveis nas crianças", alerta Ionara.
Na prática clínica, as queixas de dor são as observações mais comuns. "No entanto, os desvios posturas têm merecido bastante atenção", conta Eliane. Estas alterações são consideradas um problema de saúde pública, principalmente as que atingem a coluna vertebral, pois podem ser um fator predisponente às condições degenerativas da coluna vertebral do adulto. "Desajustes dessa natureza são decorrentes não só da evolução e das adaptações da espécie humana, mas também são produzidos por fatores sociais, culturais e ambientais, os quais levam a diversos desequilíbrios músculos esqueléticos", acrescenta.
Tendo em vista que no período escolar a velocidade do desenvolvimento corporal é grande, diversos fatores podem desencadear alterações no sistema músculo esquelético, especialmente na coluna vertebral. "Dentre as alterações podem ser dadas como exemplo as deformidades como escoliose, hipercifose, hiperlordose, bem como sintomatologias de lombalgia, dorsalgia e cervicalgia, que prejudicam o desenvolvimento normal", explica Ana.
Para crianças que já apresentaram algum tipo de problema de coluna em consequência do peso, o tratamento é individualizado, sendo necessária a apropriada avaliação para diagnóstico funcional. Além do tratamento, para que um desconforto inicial não se torne crônico e se instalem deformidades, devem ser feitas adequações que atendam as necessidades da criança tanto no ambiente escolar como doméstico.
As fisioterapeutas explicam que os programas de treinamento preventivo que associam educação e movimento têm boa repercussão como forma de melhorar a postura. "Além disso, orientações quanto ao uso mochila e um ambiente ergonomicamente projetado para escolares são fundamentais para manter a integridade articular e funcional, o que certamente contribui para o melhor desempenho escolar", finaliza.


Por: Jornal Minuano

 
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