José Artur Maruri

sábado, 25 de fevereiro de 2017 às 0:00

O suicídio assistido II

Em nossa última coluna resolvemos tratar de um tema ainda muito intrincado nos dias atuais, falamos do chamado suicídio assistido.
Segundo o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), José Roberto Goldim, "o suicídio assistido ocorre quando uma pessoa, que não consegue concretizar sozinha sua intenção de morrer, solicita o auxílio de outro indivíduo, o que pode ocorrer por atos (prescrição de doses altas de medicação e indicação de uso) ou, de forma mais passiva, através de persuasão ou de encorajamento. Em ambas as formas, a pessoa que contribui para a ocorrência da morte da outra, compactua com a intenção de morrer através da utilização de um agente causal".
Quanto a isso, citamos o espírito São Luís (Paris, 1860) que assim referiu sobre o momento derradeiro: "Sei bem haver casos que se podem, com razão considerar desesperadores; mas, se não há nenhuma esperança fundada de um regresso definitivo à vida e à saúde, existe a possibilidade, atestada por inúmeros exemplos de o doente, no momento mesmo de exalar o último suspiro, reanimar-se e recobrar por alguns instantes as faculdades! Pois bem: essa hora de graça, reflexões que seu espírito poderá fazer nas convulsões da agonia e quantos tormentos lhe pode poupar um relâmpago de arrependimento".
O tema está sendo tratado, inclusive, pela indústria cinematográfica. "Como Eu Era Antes de Você" - um dos filmes com maior bilheteria em 2016, tratado como o "filme mais romântico do ano", baseado no livro de mesmo nome de autoria da inglesa Jojo Moyes, não se furtou em tratar da questão do suicídio assistido e sua pseudo dignidade.
Desde 1998, quando foi fundada, até 2014, a associação Dignitas, o mais famoso centro de suicídio assistido da Suíça, já ajudou mais de 1.700 doentes terminais ou pacientes com doenças incuráveis e progressivas a terem uma morte rápida e indolor com uma dose de 15 mg de uma substância letal misturada a 60 ml de água. O lema da instituição é "Viver com dignidade. Morrer com dignidade".
A legislação suíça permite o suicídio assistido desde que não seja por "motivos egoístas". Por exemplo: ajudar uma tia a morrer só para colocar as mãos em sua fortuna. Já nos EUA, a decisão cabe a cada estado. Atualmente, é permitido em apenas seis: Washington, Oregon, Vermont, Novo México, Montana e Califórnia.
No Brasil, não existe legislação sobre a matéria, apenas a punição para quem induz ou instiga o suicídio. A Associação Médica Brasileira informou que se reunirá no mês de março para tratar sobre o tema.
Enfim, Allan Kardec refere que o espírita tem vários motivos que se contrapõem a ideia do suicídio, assistido ou não: "a certeza de uma vida futura, em que, sabe-o, ele, será tanto mais ditoso, quando mais inditoso e resignado haja sido na Terra; a certeza de que, abreviando seus dias, chega, precisamente, a resultado oposto ao que esperava; que se liberta de um mal, para incorrer num mal pior, mais longo e mais terrível; que se engana, imaginando que, com o matar-se, vai mais depressa para o céu; que o suicídio é um obstáculo a que no outro mundo ele se reúna aos que foram objeto de suas afeições e aos quais esperava encontrar; donde a consequência de que o suicídio, só lhe trazendo decepções, é contrário aos seus próprios interesses".
"Todos estais na Terra para expiar; mas todos, sem exceção, deveis esforçar-vos por abrandar a expiação dos vossos semelhantes, de acordo com a lei de amor e caridade. - Bernardino, Espírito protetor. (Bordeux, 1863)."
(Referências: Portal BBC Brasil. http://www.bbc.com/portuguese/brasil-38988772. Acesso em 17/02/2017. Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB Editora. Cap. V. p. 89 e 101)


Por: José Artur M. Maruri dos Santos

 
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