Padre Airton Gusmão

sábado, 25 de fevereiro de 2017 às 0:00

O abandono confiante à providência divina

Neste domingo, 26 de fevereiro, em continuidade ao Sermão da Montanha, somos convidados a refletir sobre a providência divina, na gratuidade do seu amor; acolhendo o convite de Jesus Cristo, a termos uma única preocupação que dará sentido e orientação às demais ações do nosso cotidiano: "Olhai os pássaros dos céus, olhai como crescem os lírios do campo... Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo"(Mt 6,24-34).
Claro, que para isso acontecer, Jesus diz aos seus discípulos de ontem e de hoje: "Ninguém pode servir a dois senhores: pois odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro".
O Papa Francisco, refletindo sobre este evangelho, nos diz o seguinte: "Um coração ocupado pela cupidez de possuir, é um coração cheio desta cobiça de possuir, mas vazio de Deus. Num coração possuído pelas riquezas, não há lugar para a fé. Se ao contrário, se deixa a Deus o lugar que lhe compete, isto é, o primeiro, então o seu amor leva a partilhar também as riquezas, a pô-las ao serviço de projetos de solidariedade e de progresso. E assim a Providência de Deus passa através do nosso serviço aos outros, do nosso partilhar com os outros" (Jesus sempre nos espera - Palavras do Papa Francisco, 2014).
Porém, esta confiança em Deus, na sua providência, não é alienante, não nos exime de nossa responsabilidade nas tarefas temporais, nem nos permite fugir de nosso compromisso de cristãos no mundo; não quer dizer que devemos nos acomodar, não fazer nada e esperar que tudo caia do céu, sem a nossa participação.
Quando entendermos que a vida é dom de Deus, pura gratuidade, e, por ser assim, defendermos toda forma de vida; quando as nossas relações inter-humanas se pautarem pelo princípio da fraternidade, na qual todos são inclusos; quando, enfim, Deus for o nosso único Senhor, então nos deixaremos conduzir pela providência divina. O foco principal de Jesus não é a despreocupação. O que ele ensina é a atitude certa para o serviço do Reino de Deus e esta é a mensagem da parábola dos lírios.
A proposta do mundo, da sociedade de consumo, leva ao culto do Dinheiro e do Consumismo, com suas conseqüências: a degradação da dignidade humana, convertendo as pessoas em puras máquinas de produção e consumo de bens; bloqueando a solidariedade, a partilha, a fraternidade, favorecendo o egoísmo e a exploração; tornando-nos escravos das coisas e dos bens.
A proposta de Jesus, do Reino, pede confiança e abandono nas mãos de Deus, a quem servimos com amor e por quem nos sentimos amados, pois como diz o profeta Isaías, quando o povo de Deus, perseguido e longe de sua terra, sente-se 'abandonado' por Deus: "Por acaso uma mulher se esquecerá da sua criancinha de peito? Não se compadecerá ela do filho do seu ventre? Ainda que as mulheres se esquecessem, eu não me esqueceria de ti"(Is 49,14-15).
Só poderemos contemplar os lírios do campo e ver o essencial, quando os acessórios não prenderem os nossos corações. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na Oração. Não esqueçamos que na próxima quarta-feira, 1º de março, iniciaremos o Tempo Litúrgico da Quaresma, com a imposição das cinzas, o convite à conversão e à solidariedade e, também, estaremos acolhendo mais uma Campanha da Fraternidade, com o lema: "Cultivar e guardar a criação" (Gn 2,15). Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.


Por: Padre Airton Gusmão

 
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