Dilce H. dos Santos

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 às 0:00

Os perigos para quem só diz sim

É possível a todos dizer amém e ainda assim não agradar ninguém.  Baixar a cabeça para as vontades alheias sem sequer se perguntar sobre os próprios limites é sofrimento garantido. Os outros, seja lá quem, nunca ficarão satisfeitos, sempre vão exigir mais, e você nunca parecerá bom o bastante.
Existe quem tente fazer o melhor possível. E o melhor possível requer habilidades de autoconhecimento e percepção de seus próprios limites. Desde bebês estamos aprendendo sobre o mundo e nossa interação com ele.
Duas emoções têm papel importante neste aprendizado: o medo e a frustração. Essas experiências fazem com que nos adaptemos ao mundo como ele é. O medo sinaliza o perigo e qual atitude melhor a tomar para garantir nossa segurança. A frustração ensina sobre nossos limites e capacidades, sobre o que é e o que não é possível. Principalmente nas crianças, a frustração é educativa, porque demonstra que existem outras pessoas no mundo e todas têm desejos.
O mundo não existe para satisfazer a vontade de um só indivíduo. Dessa forma, medo e frustração vão favorecendo a percepção dos contornos do eu a partir do reconhecimento das próprias limitações. Os outros ajudam que você descubra quem você é e você também ajuda que percebam quem são através daquilo que não podem fazer ou receber. Quem tem problemas em dizer não, costuma supervalorizar a aprovação externa. Os outros acabam virando uma entidade poderosa, tirana a qual se deve agradar, senão...
Receber aprovação do mundo externo é realmente muito bom. Mas isto não ocorre sempre e nem deve nortear nossas ações porque existe outra aprovação que é importante também e deve vir em primeiro lugar. A aprovação interna. A consciência, a noção de eu, o mundo interno tem condições de proporcionar grande satisfação se forem levados em conta com tanto respeito quanto o mundo exterior. O que fazer para se chegar lá, no nível da satisfação interior? Estabelecer limites claros. Investir no autoconhecimento. Fazer um balanço entre aprovação externa e interna e aceitar que para fazer valer a própria vontade, muitas vezes é necessária certa dose de agressividade. Tudo isso conduz a uma libertação, a autorização para se dizer não às vezes, conforme a vontade, condições ou situação. Amigos, colegas de trabalho, conhecidos, estranhos, vizinhos, parentes, irmãos, pais, filhos, marido, esposa, chefia, todos, sem dúvida, precisam ouvir não de vez em quando.
Respeitar e querer bem alguém é, necessariamente, dizer não por vezes. Do contrário você vai destruir a relação contribuindo para que a pessoa tenha uma ideia equivocada de si mesma. Ela vai acabar acreditando que é mais importante, tem mais direitos e poderes do que é verdade. Quem se ama ou deseja se amar mais deve se conscientizar de sinalizar claramente aquilo que não quer. E quem ama e respeita outra pessoa deve contribuir para que ela perceba que também tem limites.


Por: Dilce Helena dos Santos

 
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