José Artur Maruri

sábado, 18 de fevereiro de 2017 às 0:00

O suicídio assistido

Numa sociedade que cada vez mais privilegia o estar bem consigo mesmo, que pensa apenas em si e em tudo que esteja ao alcance do "ter", não é surpresa que o materialismo exsurja para se colocar em evidência.
O escritor Carlos Heitor Cony, em entrevista para o portal BBC Brasil, asseverou: "Há casos em que os remédios já não produzem mais efeito, a família gasta um dinheiro que não tem e, pior, o paciente não tem mais condições de viver, só de sofrer. Se não há uma solução médica ou científica, o suicídio assistido é a saída mais humana que existe".
Nessa linha, em outubro do ano passado, o ex-arcebispo sul-africano Desmond Tutu defendeu, na ocasião de seu aniversário de 85 anos, o direito ao suicídio assistido ao pedir que, no fim de sua vida, seja tratado com compaixão. "Por que tantos são obrigados a suportar terríveis sofrimentos contra sua vontade?", indagou em artigo publicado no jornal americano The Washington Post. "Não quero que me mantenham vivo a qualquer preço", afirmou o Nobel da Paz, que há 20 anos luta contra um câncer de próstata.
Em junho de 2015, durante entrevista à BBC Brasil, o físico britânico Stephen Hawking, 73, afirmou que, caso se tornasse um fardo para as pessoas ao seu redor ou se não tivesse "mais nada a contribuir", consideraria a hipótese de dar cabo da própria vida.
A aclamada "dignidade" do suicídio assistido, hoje tão moderno, ao ponto de países como Suíça, Holanda e, inclusive, alguns estados norte-americanos, oferecerem licitude ao ato, esbarraria diante da certeza que os renomados autores precitados teriam, fossem eles espiritistas-cristãos, na imortalidade da alma, na certeza que a existência se prolonga indefinidamente para lá do túmulo, no dizer de Kardec, "donde a paciência e a resignação que o afastam muito naturalmente de pensar no suicídio; donde, em suma, a coragem moral".
O Espiritismo, inclusive, apresenta-nos os próprios suicidas a informar-nos a situação desgraçada em que se encontram e a provar que ninguém viola impunemente a Lei de Deus, que proíbe ao homem encurtar sua própria vida.
No entanto, o próprio Allan Kardec, ainda no século XIX, já se inquietava com os questionamentos que hoje surgem das ideias de quem busca o chamado suicídio assistido. Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", ele indaga dos Espíritos: "Um homem está agonizante, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é desesperador. Será lícito pouparem-se-lhe alguns instantes de angústias, apressando-se-lhe o fim?"
O espírito São Luís (Paris, 1860) responde: "Quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode Ele conduzir o homem até a borda do fosse, para daí o retirar, a fim de fazê-lo voltar a si e alimentar ideias diversas das que tinha? Ainda que haja chegado ao último extremo um moribundo, ninguém pode afirmar com segurança que lhe haja soado a hora derradeira. A Ciência não terá se enganado nunca em suas previsões?"
Numa próxima oportunidade retomaremos o tema para entender o que é efetivamente o suicídio assistido e visualizar as razões de quem o busca. Em contrapartida, veremos alguns motivos que se contrapõem ao intento e outras palavras do Espírito São Luís a Allan Kardec.
(Referências: Portal BBC Brasil. http://www.bbc.com/portuguese/brasil-38988772. Acesso em 17/02/2017. Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB Editora. Cap. V. p. 89, 101-102)


Por: José Artur M. Maruri dos Santos

 
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