Mainardi

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017 às 0:00

Privatizações. O prejuízo será de todos

O tema das privatizações não é novo. Já houve um tempo em que a transferência de ativos do Estado para a iniciativa privada era defendida por políticos, economistas e jornalistas como a saída para todos os males do Brasil e do nosso Estado. Fernando Henrique Cardoso, no Brasil, e Antônio Britto, no Rio Grande do Sul, praticaram essas políticas e as defenderam com força, sustentando, basicamente, que o Estado estava inchado e que precisava se retirar de atividades que não lhes dizia respeito.
O resultado foi tão negativo que nem FHC nem o Britto apareceram mais nas campanhas eleitorais de seus partidos. Tornaram-se símbolos de um tempo em que o Brasil e o Rio Grande abriram mão de alguns de seus ativos para, simplesmente, torrar o dinheiro em pagamento de dívidas, internas e externas, sem acrescentar melhorias nos tais setores estratégicos. As denúncias publicadas no livro "A privataria Tucana" revelam, também, o quanto essas políticas serviram, de tabela, para enriquecer amigos e parceiros do poder.
Esse tempo passou e durante o governo Lula as estatais foram reforçadas como espaços estratégicos para o desenvolvimento econômico e de políticas públicas de inclusão social. O resultado foi um período de crescimento, desenvolvimento econômico e inclusão social. A própria Fundação Getúlio Vargas publicou um estudo em que demonstra que a "era Lula" foi a melhor fase da economia brasileira nas últimas décadas.
Agora, Sartori quer recuperar essas políticas e pretende vender as estatais gaúchas. Nem preciso sustentar a falta de sentido em vender empresas que são lucrativas. Se o argumento é resolver o problema de caixa, que, aliás, nunca foi devidamente explicado, não há qualquer fundamento em se desfazer de ativos lucrativos, como é a CRM, a Sulgás e o Banrisul. Apenas esse argumento deveria nos fazer parar para pensar que, na verdade, o que está por trás dessa tentativa de privatização é outra coisa e não a estabilidade financeira do estado.
Mas não é somente esse o problema. A venda da CEEE, por exemplo, retiraria o Estado, definitivamente, do setor mais estratégico da economia, que é a produção e transmissão de energia. E sem qualquer benefício financeiro, porque, novamente, a dívida e os passivos ficariam com o Estado, repetindo a operação feita no passado por outro governo do PMDB, que vendeu a parte lucrativa da CEEE. Esta decisão do passado, aliás, é a própria causa da crise que passa a companhia estadual de energia atualmente. Ao invés de sanar a empresa, o PMDB escolhe, de novo, o caminho mais fácil, que entrega o lucro para o setor privado e fica com o prejuízo para o Estado.
É preciso, portanto, que a sociedade reaja. Vender as estatais estratégicas e/ou lucrativas é negociar um patrimônio de todos. As privatizações renderam, na verdade, muitos prejuízos para o povo gaúcho. Nós já vimos esse filme. E não gostamos. Por isso, estaremos na Câmara de Vereadores de Bagé esta noite. Para lutar pelo povo gaúcho!


Por: Luiz Fernando Mainardi

 
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