Saúde

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017 às 0:00

Depressão é considerada pela Organização Mundial de Saúde uma epidemia social

Neste mês de janeiro, uma campanha intitulada Janeiro Branco está sendo divulgada em todo o País. Entre os objetivos, está chamar a atenção para o tema da Saúde Mental na vida das pessoas, aproveitando o início do ano para incentivar as pessoas a pensarem a respeito das suas vidas, dos seus relacionamentos e do que andam fazendo para serem verdadeiramente felizes

Depressão é considerada pela Organização Mundial de Saúde uma epidemia social - Créditos: Reprodução
Depressão é considerada pela Organização Mundial de Saúde uma epidemia socialReprodução
Depressão é considerada pela Organização Mundial de Saúde uma epidemia social - Créditos: ReproduçãoDilce Helena Santos  - Créditos: Arquivo pessoalDepressão é considerada pela Organização Mundial de Saúde uma epidemia social - Créditos: Reprodução

Depressão: como identificar e evitar o problema

Neste mês de janeiro, uma campanha intitulada Janeiro Branco está sendo divulgada em todo o País. Entre os objetivos, está chamar a atenção para o tema da Saúde Mental na vida das pessoas, aproveitando o início do ano para incentivar as pessoas a pensarem a respeito das suas vidas, dos seus relacionamentos e do que andam fazendo para serem verdadeiramente felizes.
Dentro desta óptica, o MINUANO Saúde de hoje busca detalhes de uma das doenças que mais atinge a população mundial, a depressão. A Organização Mundial da Saúde, inclusive, considera o problema uma epidemia social.
A psicóloga Dilce Helena Santos explica que depressão é uma doença psíquica que afeta mente, corpo e o afeto, muitas vezes incapacitante. "É bastante complexo falar sobre tipos de depressão, uma vez que esta condição envolve aspectos emocionais, da bioquímica, do sistema nervoso e de condições de vida relacionadas ao ambiente e suas conexões com o sujeito. Mas, para sintetizar, podemos falar em graus, que vão de uma depressão leve, moderada à severa", explica a profissional. Segundo ela, cada um dos graus acarreta em maior prejuízo das funções normais do indivíduo, como cognitivas, emocionais, sociais e físicas. Além disso, o grau também tem relação com o período em que a pessoa permanece neste estado e o tratamento adequado.
A profissional argumenta que atualmente parece haver uma confusão grande entre tristeza e depressão. "É muito importante salientar que ficar triste não é depressão. A reação de entristecer-se é algo que faz parte da vida em sua diversidade de acontecimentos e a conexão pessoal que fazemos entre tais eventos. A depressão é algo muito maior, mais sério e mais profundo", ressalta.
Dilce esclarece que pode-se atribuir o quadro à depressão quando este estado de tristeza não tem conexão com nenhum evento externo ou interno do indivíduo, quando perdura por muito tempo e quando há prejuízo ao estilo de vida que a pessoa mantinha antes dos sintomas surgirem.  Por exemplo, mudanças significativas na qualidade dos pensamentos, do sono, da alimentação e da produtividade. Outro ponto a ser observado são aspectos da personalidade deturpados pela sensação de vazio, perda, dor ou tristeza profunda, assim como mudanças de humor, isolamento, rotina de interação social ou profissional alterada.

Mal genético
A psicóloga afirma que estudos recentes apontam para a influência dos aspectos genéticos no desencadear de um quadro depressivo. "Mas é difícil generalizar e apontar apenas uma condição, uma vez que se trata de um fenômeno biopsicossocial, ou seja, os três níveis estão envolvidos (corpo, mente e interação com o meio). O tratamento e a recuperação envolvem atenção a estas diferentes áreas da vida do indivíduo", avalia.

Preconceito
Para ela, o preconceito vem da desinformação a respeito dos fenômenos emocionais e sua importância na saúde como um todo. "Por um lado, as pessoas acreditam que aquilo que é emocional é bobagem, e, por outro, em uma sociedade onde se cultiva tanto o ter em detrimento do ser, parecer alegre o tempo todo tornou-se prerrogativa. Isso leva à vergonha de estar triste, o que leva as pessoas a disfarçarem suas emoções. Evidenciar e tornar mais claro que a saúde depende também da qualidade de nossas emoções e pensamentos é responsabilidade dos psicólogos e objetivo de campanhas de conscientização como o Janeiro Branco. Quem cuida da mente cuida da vida", acredita.
Questionada se com a vida moderna aumentam os casos de depressão, Dilce diz que hoje em dia se tem mais conhecimento a respeito, mas que estudos apontam que sempre existiu a depressão, embora nem sempre ela fosse compreendida nem tampouco tivesse este nome. Entretanto, segundo a profissional, "as exigências a que somos expostos na sociedade competitiva que criamos, exercem demasiada pressão emocional sobre as pessoas, tanto no trabalho quanto na vida afetiva. E hoje sabemos que o estresse tem forte relação com a incidência do quadro depressivo".

Atitudes que podem evitar a doença
A psicóloga explica que a saúde emocional envolve a certeza de que na vida passaremos por bons e maus momentos. "Esta certeza ajuda a criar a força necessária para obter a tolerância à frustração, que ajuda muito na superação de situações dolorosas. Outro aspecto importante é o afetivo; investir no autoconhecimento, saber do que gosta e viver de acordo com seus valores e conceitos, cercado por pessoas afetivamente significativas, além de resistir ao isolamento. Cultivar bons pensamentos, refazer planos, investir nos projetos novos e antigos. Amar e se permitir ser amado também ajudam a prevenir", finaliza Dilce.


Por: Jornal Minuano

 
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