Padre Airton Gusmão

sábado, 4 de fevereiro de 2017 às 0:00

Devemos florescer onde estamos plantados

"Devemos florescer onde estamos plantados. Não importa o lugar, importa o florescimento. Não importa se a força do vento é demasiadamente forte, importa a intensidade de suas raízes. Não importa a dificuldade do terreno, importa o desejo de florescer. Não importa a nossa pequenez, importa o que está inscrito em nossa alma" (A arte de viver e ser feliz, Luiz Rossi, pag. 60).
Continuando o Sermão da Montanha, Jesus Cristo com as imagens de 'Sal e Luz': "Vós sois o sal da terra e a luz do mundo... Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus" (Mt 5,13-16); quer dizer a cada um de nós qual é a nossa identidade cristã e missão no mundo como cristãos batizados.
O discípulo para ser "sal da terra" deve se configurar a Cristo. Configurar-se a Ele significa encarná-lo, fazendo com que sua Palavra seja uma orientação de vida e esperança para a sociedade humana e para a comunidade eclesial. Encarnar Jesus Cristo redunda em conservar nossa vida, assumindo a vida divina em nós: aquela que o próprio Jesus veio trazer. Se o discípulo não encarna Jesus Cristo, o Cristianismo torna-se mera doutrina sem nenhum sabor. O sal sem sabor não é mais sal, pois perde a sua própria identidade. Assim, somos sal da terra quando temperamos a vida da sociedade, com o anúncio da Boa Nova do Reino, com os valores do Evangelho, com o nosso testemunho; quando nos preservamos de toda maldade presente na sociedade.
Como portadores da luz que é Jesus Cristo, somos luz do mundo. Porém, só portamos a luz se nos configurarmos a Ele. Só podemos ser mensageiros da Boa Notícia para o mundo quando esta motiva o nosso viver. A luz não pode ser acesa para ser escondida logo depois. Uma luz escondida é uma luz que não brilha, não afugenta as trevas. A existência do discípulo na concepção de Jesus, só tem sentido se ela transformar o mundo com seu sabor e sua luz.
Falando sobre o discipulado missionário hoje, o Papa Francisco diz o seguinte: "Todos somos chamados a crescer como evangelizadores, buscando uma formação melhor, um aprofundamento do nosso amor e um testemunho mais claro do Evangelho. Todos somos chamados a dar aos outros o testemunho explícito do amor salvífico do Senhor, que, sem olhar às nossas imperfeições, nos oferece a sua proximidade, a sua Palavra, a sua força, e dá sentido à nossa vida" (A Alegria do Evangelho, nº 121).
Somos limitados, frágeis, pecadores, como qualquer outro ser humano. Porém, para Cristo, nós cristãos, discípulos seus, somos uma presença diferenciada na sociedade, pois Jesus nos quer exatamente assim: sendo fiéis à nossa vocação de Sal e Luz, pessoas que estão no mundo sem ser do mundo, pessoas que comungam das alegrias e esperanças, das dores e sofrimentos humanos, fazendo ecoar, com o nosso testemunho e palavra, a alegria do Evangelho.
Sejamos Sal que preserva da corrupção e dá gosto das coisas de Deus e Luz que ilumina e se consome a serviço dos irmãos, fazendo assim, com que o Pai que está nos céus seja louvado. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.


Por: Padre Airton Gusmão

 
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