José T. Giorgis

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017 às 0:00

O Nils Taranger e a Assembleia de Deus em Bagé

O aparecimento da Igreja Assembleia de Deus em Bagé se deve à vinda dos noruegueses Nils e Mary Taranger para o Brasil em 1946. Tudo inicia quando em 3 de fevereiro de 1924 chegam a Porto Alegre os suecos Gustav e Elizabeth Nordlund, com o filho Herbert, sem falar o português, conhecer alguém e desprovidos de rendas, contudo instigados pelo espírito missionário de trazer "os dons espirituais segundo o ensino fundamental dos apóstolos", que tinham como ausentes no Rio Grande.
Os Nordlund se instalaram em 15 de abril de 1924 numa casa situada na rua Maryland, esquina Eudoro Berlink, bairro Montserrat, realizando, então, o primeiro ofício presenciado por um único assistente, José Corrêa da Rosa, logo convertido e batizado, tornando-se o primeiro membro.
Chovia muito, o que provavelmente afastara interessados, além de ser diminuta a peça para a cerimônia, com apenas quatro bancos em que cabiam vinte pessoas. Nos meses seguintes outros seis crentes fazem profissão de fé; e, já em outubro, no bairro de Navegantes, outros dez foram imersos no Rio Guaíba, acompanhados por mais um casal de batistas. À noite efetua-se a primeira Santa Ceia; no fim daquele ano já se contavam 23 integrantes.
Em pouco tempo a salinha torna-se insuficiente para os adeptos e é preciso ambiente maior, mas surge obstáculo, pois ninguém queria alugar casa para aquela "estranha seita", o que é superado com o aporte de duzentos dólares, enviados por um prosélito americano, e doação de três contos de réis por um sueco amigo, o que permite aquisição de um chalé na travessa Azevedo, adaptado em salão para duzentas pessoas sentadas, onde se cumpre o primeiro culto no domingo de Páscoa de 1926.
O aumento para oitocentos convictos obrigou, em 1930, que fosse alugada a parte térrea do prédio, localizado na rua Cristóvão Colombo, nº 580, esquina Comendador Coruja; este, sem demora, logo fica pequeno aos novos simpatizantes, como operários e crianças, incapacidade física ainda agravada com o fluxo de povo na via frontal, reclamando acréscimo, obtido com a demolição de paredes.
Outra compra era necessária, mais difícil, tanto pela situação financeira da maioria dos membros da igreja como pela crise econômica que assolava a capital. Nordlund viaja para a Suécia e Estados Unidos, agregando recursos com entidades coirmãs. Em 1937, compra terreno na rua General Neto, esquina Hoffmann, no bairro Floresta, iniciando a construção e posterior inauguração, em 1939, de um prédio que, na época, era tido como o maior templo evangélico do Brasil e América do Sul, ao abrigar mais de três mil pessoas, com cômodas, poltronas individuais de assentos, móveis, larga nave com coro, púlpito, orquestra e mesa de comunhão.
O interesse pelo credo obriga, depois, a edificação de capelas e congregações nos subúrbios, seguindo-se ações em Santa Catarina, Uruguai, Argentina e interior (São Leopoldo, Esteio, Minas do Butiá, Arroio dos Ratos, Charqueadas, Viamão, etc.). Bagé, como São Gabriel e Rosário, era congregação vinculada a Cacequi, por sua vez distrito da Assembleia de Deus de Porto Alegre.
Em Estocolmo, o pastor NilsTaranger, ainda solteiro, conhece Gustav Nordlund e manifesta desejo de "fazer a obra do Senhor" no Rio Grande do Sul (1936).
Em 1948, já casado e com dois filhos, Nils chega a Bagé.
(cont.)


Por: José Carlos Teixeira Giorgis

 
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