Divaldo Lara

domingo, 29 de janeiro de 2017 às 15:45

O discurso e a prática na obra da barragem e na campanha do agasalho

Durante a campanha eleitoral reservei-me ao direito de não prometer a barragem. Por respeito e pela imensa vergonha alheia. Afinal, foram discursos e mais discursos, promessas e mais promessas em torno da "espetacular obra" que não se concretizou, mas rendeu muito, inclusive a eleição de 2012.
Pois bem. Apesar de não ser uma promessa, sei que se trata de um compromisso público e de uma questão moral com a comunidade que vive em Bagé e investe em nosso município.
Por esse motivo tem sido uma preocupação constante. Meu irmão e deputado, Luis Augusto Lara tem sido de uma parceria admirável e imprescindível em todas as tratativas.
Na sexta-feira passada, assinei o termo de cooperação pela barragem da Arvorezinha com o Conselho Regional de Engenheria e Agronomia do Rio Grande do Sul. Os técnicos, tanto da Fundação Ciência e Tecnologia (Cientec), quanto do Crea, estiveram em nossa cidade na última terça-feira e visitaram a área de construção da barragem. Agora, os engenheiros chegam para o trabalho de campo, efetivo, de análise do que foi feito, material utilizado, medições, enfim.
Ainda na sexta-feira, estivemos com o representante do Ministério da Integração Nacional no Estado, quando informamos oficialmente a intenção de retomar a obra, falamos da forma como estamos conduzindo esse processo e a cooperação que temos. É de entusiasmar. Porque esse método que implentamos deve servir de modelo para grandes obras em nosso País. 
Estamos torcendo para que isso aconteça. Porque se depender de nós, do nosso trabalho, nosso interesse e força de vontade, Bagé será sempre uma cidade em movimento, sem obras paradas, em busca do desenvolvimento.

O descaso
Desde que me elegi vereador tenho deixado muito claro à população de Bagé quais são meus pensamentos, quais as prioridades como homem público e os afetos ou desafetos que fazem parte do caminho político que percorro. Acredito que essa transparência na vida ajuda a identificar pensamentos. Sinto isso nos apertos de mão e abraços do dia a dia. Sei quem simpatiza com minhas ideias e quem não quer nem debatê-las.
O importante é que a comunidade bajeense sabe quem sou. Isso me contempla.
Entro no assunto porque todos os dias observo na administração pública o que eu ouvia como discurso daqueles que estiveram na prefeitura e o que se mostra na prática. Aliás, nos meus pronunciamentos na tribuna da Câmara muito alertei sobre esse fenômeno dos meus adversários políticos: a enorme distância entre o discurso e a prática.
Em cada setor da prefeitura é possível identificar o descaso que havia, a falta de compromisso com a população que mais precisa dos serviços públicos. Há dois anos o vereador Carlinhos do Papelão denunciou roupas da campanha do agasalho no "lixão", jogadas fora. Houve uma tentativa de tentar menosprezar e tornar ridícula sua denúncia. Hoje é possível ver que a verdade do Carlinhos era mais consistente que ele próprio imaginava. O Prociba, gerenciado pela administração anterior, permitiu que milhares de peças de roupas se deteriorassem, apodrecessem em galpões. Por quê? O que leva uma pessoa a esse ponto? Qual a sua responsabilidade com quem acredita na campanha do agasalho e doa para fazer o bem? E como fica a consciência em relação aqueles que sofreram com o frio, enquanto as roupas apodreciam nas prateleiras improvisadas do Prociba?
Para quem gosta tanto de taxar adversários que não são de seu campo ideológico de populistas e demagogos, a triste realidade das roupas da campanha do agasalho é apenas um exemplo de que se olhar no espelho é bom, porque refletir é sempre necessário.


Por: Divaldo Lara

 
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