José Artur Maruri

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017 às 16:14

Sócrates aos seus juízes

Ainda no último ano, estivemos imersos em citações de Sócrates e Platão que nos oferecem uma noção de imortalidade da alma, reencarnação e justiça divina.
  Sócrates, diante de seus juízes, com a maestria lhe era peculiar, divagou sobre como se daria o processo da morte. Vejamos:
  "XI. De duas uma: ou a morte é uma destruição absoluta, ou é passagem da alma para outro lugar. Se tudo tem de extinguir-se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonho e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Todavia, se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para o lugar onde os mortos se têm de reunir, que felicidade a de encontrarmos lá aqueles a quem conhecemos! O meu maior prazer seria examinar de perto os habitantes dessa outra morada e de distinguir lá, como aqui, os que são dignos dos que se julgam tais e não o são. No entanto, é tempo de nos separarmos, eu para morrer, vós para viverdes. (Sócrates aos seus juízes)" 
  A capacidade de elocução do filósofo impressiona ainda nos dias hoje. Porque além de buscar uma lógica, ele conseguia fazer com que seus discípulos ou, no caso específico de seus juízes, se enxergassem ultrapassando a linha divisória que demarca a morte do corpo e a libertação do espírito.
  A lógica faz com que afastemos a hipótese de que a morte enseja uma destruição absoluta, justamente porque as noites em que passamos sem sonhar e sem consciência de nós mesmos são muito raras.
  Para o filósofo, os que viveram na Terra se encontram após a morte e se reconhecem. E como seria interessante observar de perto os habitantes da morada dos "mortos" e distinguir os que são dignos e o que se julgavam dignos, como pensava Sócrates, principalmente na atual situação em que vivemos, onde simplesmente dizer que não se gosta de tal alimento enseja uma hecatombe raivosa da associação dos defensores de tal alimento.
  O Espiritismo veio, ao tempo certo e previsto por Jesus, mostrar que as relações continuam de tal maneira que a morte não é nem uma interrupção, nem a cessação da vida, mas uma transformação, sem solução de continuidade.
  Conforme Allan Kardec, "houvessem Sócrates e Platão conhecido os ensinos que o Cristo difundiu quinhentos anos mais tarde e os que agora o Espiritismo espalha, e não teriam falado de outro modo".
  Nunca irá surpreender se considerarmos que as grandes verdades são eternas e que os Espíritos adiantados hão de tê-las conhecido antes de virem à Terra, para onde as trouxeram e, onde, finalmente, pode dar-se façam eles agora parte da plêiade dos espíritos encarregados de ensinar aos homens aos mesmas verdades.

   (Referências: Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB Editora. Introdução. p. 36-37)


Por: José Artur M. Maruri dos Santos

 
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