Dilce H. dos Santos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017 às 18:28

Autoconhecimento e a descoberta de dois mundos

Olhando para fora:
Percebemos o mundo a nossa volta, sua velocidade, sua loucura, sua diversidade e complexidade de exemplos a seguir ou a jamais repetir.
Ficamos surpresos, magoados, frustrados, decepcionados, irritados, desprezados, alienados, arrebatados, deslumbrados.
Vemos agressividade que choca, machuca. Desejamos um mundo de paz.
Projetamos o que não reconhecemos em nós mesmos, nos apaixonamos, iludimos e somos iludidos.
Queremos pertencer, queremos ser igual ao bando, e ainda, contraditoriamente, sermos notados, admirados.
Queremos provar competência. Mostrar ao mundo, potência, razão, erudição, beleza, força, riqueza e felicidade plena.
Olhando para dentro:
Descobrimos que existe muito mais em nós do que a consciência de si mesmo permite perceber. Somos muito mais do que pensamos ser, somos mais que ego, somos inclusive sombra e tudo aquilo que condenamos e desprezamos nos outros.
Percebemos que somos capazes de surpreender, magoar, frustrar, decepcionar, irritar, desprezar, alienar-se, arrebatar, deslumbrar.
Entendemos que há força criativa no caos e que é preciso uma dose de agressividade para crescer, evoluir, diferenciar-se e confiar no manancial da inventividade. Surpresos, descobrimos que também destruímos, descuidamos e agredimos. Aos poucos vamos reconhecendo que antes da paz é preciso chegar à harmonia e antes de chegar a esta é necessário travar batalhas com todas as forças antagônicas interiores.
Conhecemos amor, plenitude, novidade e surpresa dentro e fora. Olhamos realmente para nós e para alguém, enxergando verdadeiramente quem somos e realmente quem é o outro, exatamente como é e não como esperávamos.
Notamos identidade na diversidade, beleza na complexidade, simplicidade e alegria nos pontos obscuros, não evoluídos. Finalmente aceitamos que só podemos ser realmente quem somos, o único projeto de felicidade é sermos nós mesmos intercalando aceitação e trabalho duro rumo à evolução e aprendizado.
Concentramos atenção na capacidade de evoluir, melhorar o que nosso limitado alcance permite ver, ou seja, cruamente enxergamos nossa falta de tempo, admitimos que mesmo vivendo 100 anos não seríamos tão bons como a vaidade apontava que éramos.
Saímos do mergulho em nós mesmos, quem diria, menos egoístas, mais solidários e empáticos, mais simples e com capacidade redobrada para olhar para fora e dar atenção ao que realmente importa.


Por: Dilce Helena dos Santos

 
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