Padre Airton Gusmão

sábado, 14 de janeiro de 2017 às 0:00

São Sebastião e a defesa da vida

Sob o Tema "São Sebastião e a defesa da vida", estamos realizando aqui em Bagé, nestes dias, a Novena do padroeiro da Catedral e da Diocese de Bagé. E, no dia 20 de janeiro, faremos a procissão com a imagem do santo e teremos a missa solene presidida pelo bispo Dom Gílio Felício.
Talvez muitos se perguntem: por que lembrar um santo padroeiro, uma santa padroeira ou um santo de alguma devoção? Por que realizar uma novena e festa em sua honra? O documento de Aparecida, falando sobre os apóstolos e santos, nos diz o seguinte: "Nossas comunidades levam o selo dos apóstolos e, além disso, reconhecem o testemunho cristão de tantos homens e mulheres que espalharam em seu tempo as sementes do Evangelho, vivendo valentemente a sua fé, inclusive derramando seu sangue como mártires. Seu exemplo de vida e santidade constitui um presente precioso para o caminho cristão e um estímulo para imitar suas virtudes nas novas expressões culturais da história. Com a paixão de seu amor a Jesus Cristo, foram membros ativos e missionários em sua comunidade eclesial. Com valentia, perseveraram na promoção dos direitos das pessoas, foram perspicazes no discernimento crítico da realidade à luz do ensino social da Igreja e críveis pelo testemunho coerente de suas vidas" (nº 275).
À luz destas considerações da Conferência de Aparecida, trazemos presente a vida e o testemunho do mártir São Sebastião. Ele teria nascido na França e logo foi com os pais para Milão, na Itália, onde cresceu na fé cristã, tornando-se um valente soldado, e mais tarde capitão da guarda do imperador romano. Neste contexto, muitos cristãos eram perseguidos, presos e martirizados por causa da fé em Jesus Cristo. Com muita confiança e audácia cristã, Sebastião procurou ajudar estas pessoas, diminuindo as penas, dando alimento e animando-as a perseverarem na fé em Cristo. Por causa de seu testemunho ele foi denunciado ao imperador Diocleciano, que, enraivecido, deu ordem aos seus soldados para que o matassem a flechadas. Porém, ele resistiu a tudo isso e sobreviveu, tendo a ajuda necessária para o seu restabelecimento. Com exemplo de coragem e fidelidade, coerente com a sua fé, apresentou-se novamente ao imperador, censurando-o pelas suas injustiças cometidas contra os cristãos. Aí, sim, provavelmente no ano de 287, sob a ordem de Diocleciano, ele foi espancado até a morte.
Olhando para o exemplo do mártir São Sebastião, somos convidados a anunciar e testemunhar Jesus Cristo e os valores do Reino, mesmo diante de muitas resistências pessoais e sociais da sociedade de hoje. Perante os imperadores que querem que nos curvemos a eles, podemos correr o risco de viver aquilo que o papa Francisco chama de "tentações dos agentes pastorais", que vale para todos os cristãos, ou seja, desenvolvendo uma espécie de complexo de inferioridade que nos leva a relativizar ou esconder a nossa identidade cristã e nossas convicções; com uma vida espiritual que se confunde com alguns momentos religiosos que dão um certo alívio, mas que não alimentam o encontro com os outros, o compromisso no mundo, a paixão pela evangelização. Por isso, ele nos diz para que não deixemos que nos roubem o Evangelho e o entusiasmo missionário (A alegria do Evangelho, 78-80; 97).
Que São Sebastião nos ajude a sermos hoje, a seu exemplo, testemunhas da fé, esperança e caridade, vivendo o martírio da fidelidade ao seguimento de Jesus Cristo em todos os ambientes e situações de nossa vida. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. No próximo dia 20, Festa de São Sebastião. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.


Por: Padre Airton Gusmão

 
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