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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017 às 0:00

Impasse entre prefeitura e NBPA pode ocasionar encerramento das atividades

Manutenção do Núcleo está em debate - Créditos: Antonio Rocha
Manutenção do Núcleo está em debateAntonio Rocha
Manutenção do Núcleo está em debate - Créditos: Antonio Rocha

O convênio entre o poder público e o Núcleo Bajeense de Proteção aos Animais (NBPA) terminou em dezembro e, até o momento, não foi renovado. O impasse gera consequências, já que nenhum novo animal está sendo resgatado para tratamento e as atividades estão paralisadas, segundo a presidente da entidade, Patrícia Coradini.
Várias reuniões entre o poder público e a entidade já ocorreram, sendo a última na tarde de ontem, com o prefeito Divaldo Lara, do PTB, e a coordenação da entidade, mas sem solução definitiva.
O impasse reside nos repasses financeiros. Na administração anterior, o repasse mensal era de R$ 45 mil, mais R$ 22 mil de ração e de R$ 20 a R$ 25 mil em medicamentos. Agora, o NPBA solicita que o repasse seja de R$ 100 mil, o que não foi aceito pelo poder público. "Esses recursos são utilizados nas atividades da Casa de Castração, unidades móveis de atendimentos, Centro de Atenção, gasolina, e outros itens, além do pagamento de 11 funcionários e quatro veterinários, já que o trabalho voluntário é feito apenas pela diretoria. Com a proposta da prefeitura, de R$ 50 mil, não tem como manter este trabalho", explica Patrícia.
Somente em dezembro foram atendidos pelo Núcleo 512 animais, sendo realizadas 510 castrações, cerca de 80 atendimentos no plantão e 73 verificações de maus tratos. São mantidos em torno de 417 animais internados e abrigados no espaço.

O que diz a administração pública
O secretário municipal de Gestão, Planejamento e Captação de recursos, Eduardo Deibler, ressalta que na atual situação financeira é inviável renovar o convênio com os valores solicitados pelo Núcleo. "O valor solicitado daria mais de R$ 1 milhão por ano. O compromisso de campanha foi manter o convênio e queremos manter. Nossa proposta é aumentar de R$ 45 mil para R$ 50 mil, um reajuste já acima da inflação", avalia.
Além do reajuste, a prefeitura oferece formas de sustentabilidade permanentes como proposta. Uma delas é um projeto de lei que possibilitaria que, ao pagar a conta de água, o contribuinte que desejar possa colaborar com qualquer valor destinado à entidade. Outra possibilidade é a criação da Fábrica de Ração para fabricação do consumo próprio e venda do excedente, criando outra fonte de renda. "Já há uma emenda do deputado federal João Derly (REDE) de R$ 600 mil para isso, e o município se dispôs a ceder a área para contribuir nesta instalação. Isso traria uma independência financeira para o NBPA", argumenta Deibler.
Para este mês, a ração que os animais consomem já foi adquirida. Daqui em diante, apenas um acordo entre o poder público e a diretoria da entidade pode resolver o impasse. Hoje, está prevista a visita de representantes do Núcleo na Câmara de Vereadores para sensibilizar os edis para a causa.

Prefeito divulgou nota sobre o assunto
Por meio das redes sociais, Divaldo Lara se manifestou sobre o tema. Através de nota, o prefeito diz que está buscando alternativas para a solução de muitos problemas. Ele cita, como exemplo, medicamentos para pacientes e recuperação de máquinas para a manutenção das ruas e estradas.
O petebista ressalta, ainda, que neste momento de crise, é preciso tempo para recuperar as contas da prefeitura e o poder público não dispõe de R$ 100 mil mensais para o convênio. Ele finaliza a manifestação pública dizendo que propôs apoio e a realização de uma campanha para arrecadação de valores extras, o que precisaria ser autorizado em lei na Câmara de Vereadores. "Não estou descumprindo o que acordei em nenhum momento. Reitero: considero o trabalho importante e tenho o desejo de manter. Mas é o que temos a oferecer hoje", escreveu Lara.


Por: Maritza Costa

 
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