João L. Roschildt

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017 às 0:00

Cativos

No dia 08/01/2017, uma notícia publicada no Daily Telegraph chamou atenção. O Ministro das Universidades britânico, Jo Johnson (Partido Conservador), encaminhou um Projeto de Lei que visa implementar reformas no ensino superior. Dentre as mudanças, busca-se estabelecer novos padrões de excelência nas universidades, o que inclui, dentre outros critérios, a averiguação do nível de satisfação dos estudantes. Ora, mas qual o problema do grau de satisfação dos alunos se tornar uma forma oficial de averiguação da excelência de uma instituição de ensino? Diversos! A professora Wolf, do King's College de Londres, assevera que as "universidades estão cada vez mais nervosas em fazer qualquer coisa que crie insatisfação geral entre os alunos, porque lhes dizem que a satisfação dos alunos é a chave". Acrescenta que tal postura está afetando diretamente os padrões acadêmicos e a noção de liberdade de expressão, face à existência de associações acadêmicas que visam impedir palestras de pessoas que são consideradas ofensivas para com determinados grupos. Até mesmo estátuas de figuras ilustres da história são alvo do politicamente correto e do "empoderamento alunal": em Oxford, a estátua de Cecil Rhodes foi alvo de uma campanha para ser retirada. E Wolf declara o mais simples: ao colocar a qualidade de uma universidade nas mãos dos alunos, haverá a redução da própria qualidade.
Querem um exemplo? Estudantes que são desafiados em processos de avaliações complexos, tendem, contemporaneamente, a avaliar bem os professores e suas instituições? Ou, em sua maioria, passam a odiá-los freneticamente? E acrescento: se a excelência depende da avaliação acadêmica, e se os "bons" resultados nesta são fatores determinantes para o reajuste nas mensalidades como no caso britânico, como as universidades escaparão do círculo nefasto de ceder perante demandas estudantis flagrantemente irracionais, como abolir Descartes e Kant porque são brancos e não são "descolonizadores" (caso da Universidade de Londres)? É a oficialização do caos. Junte a vontade dos alunos com políticas politicamente corretas e haverá o fim da liberdade de pensamento. O fim da razão.
As universidades brasileiras não estão distantes disto. Todas, mediante regramento do MEC, realizam autoavaliação com os acadêmicos. Avaliam, por exemplo, o desempenho docente. Sempre de forma anônima! É a possibilidade do assassinato de reputações que somente as melhores distopias poderiam prever. Alunos já realizam pesquisas sobre quantos autores negros ou mulheres foram lidos em sua formação universitária, como se a ausência ou pouca presença fossem sinônimos de racismo ou misoginia. Renomadas instituições de ensino nacionais já possuem projetos de pesquisa com viés "descolonial", que nada mais são do que tentativas ideologicamente marcadas para a destruição do homem-branco-cristão-liberal-conservador-europeu.
Os progressistas construíram um grande cativeiro intelectual. Rebelar-se contra é ter a certeza de que será açoitado, mais cedo ou mais tarde. A seguir desta maneira, o cientista político João Pereira Coutinho afirma que "depois da lavagem cerebral, haverá um carimbo no diploma que prepara o infeliz para rigorosamente nada". Discordo! Se seguirmos o caminho descrito, estar-se-á preparado para ser um idiota útil.


Por: João L. Roschildt

 
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