Fernando Risch

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017 às 17:07

Fazer amigos sempre foi muito natural pra mim

Nunca tive dificuldades em fazer amigos. Eu simplesmente entro nos lugares, converso com as pessoas e me torno amigo delas. Não um conhecido qualquer: amigo. Posso confidenciar segredos e receber segredos em troca, mesmo tendo conhecido a pessoa há uma hora. Eu confio e passo confiança, pelo menos é o que eu acredito. Não sei dizer o que acontece.
Nutro sincero ódio a algumas pessoas que vejo na rua por não gostar dos seus semblantes, então as conheço e começo a amá-las como se convivêssemos há décadas. É o preconceito no seu pico. Eu olho pra alguém, julgo, começo a odiá-la, então a conheço e nos tornamos amigos. Bons amigos. É assim que acontece. Todo dia. Toda hora. Posso citar vinte exemplos, mas isso ofenderia algumas pessoas. Fazer amigos sempre foi muito fácil pra mim.
Tão fácil ao ponto de, em algumas circunstâncias, eu olhar à minha volta e perceber que as dezenas de pessoas, as quais eu converso à vontade e sorrindo, há muito pouco tempo eu não conhecia. Percebo que não há um só ser vivo que eu pudesse referenciar como aquela "pessoa de segurança", a qual eu me empoleiraria ao ombro para fugir do constrangimento de falar com seres que não conheço. Mas não. É tarde demais. Todos já são meus íntimos amigos, me sinto à vontade com todos eles. Todos são meus ombros de confiança. Assim, quando preciso de um amigo, me vejo rodeado deles. Vários. Uns que confio mais, outros menos. Natural. Mas os tenho ao meu lado pra quando preciso, por mais que todos os meus companheiros de infância estejam em outras cidades.
Infelizmente, nem todos são como eu. Nem todos têm a facilidade de entrar em um ambiente hostil e trazê-lo para seu lado. Há pessoas que não sabem ter interesse ou fingir interesse, porque fazer amigos é isso: é o equilíbrio tênue entre estar interessado no que as pessoas têm a dizer e fingir interesse no que elas lhe dirão. Pode parecer uma ação mal educada, mas é o contrário. Às vezes o esforço é tanto que a ação pode tornar-se desgastante, física e mentalmente.
Há aqueles que não se abrem aos outros, o que é natural também. Talvez eu seja o anormal. E talvez minhas amizades não sejam lá grandes amizades o quanto eu imagino que sejam. Mas essas pessoas, quando o tempo passa e precisam de alguém para confiar, para confidenciar, percebem que todos se foram. Os amigos de infância são quase estranhos, vivendo a quilômetros de distância, e uma conversa por telefone ou internet não seria suficiente pra preencher o vazio da falta.
Naquele dia triste, no momento de necessidade, quando se olha em volta, não há ninguém. Só a dura e vazia solidão da existência. E não é culpa delas, a vida é assim; ela flutua e, quando nos damos conta, por razões das mais diversas, aqueles que confiamos não estão mais conosco, e nos tornamos uma ilha rodeada de um oceano de desconhecidos dos quais não temos interesse algum em nos tornar amigos.
Façam novos amigos, não faz mal.


Por: Fernando Risch

 
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