Fogo Cruzado

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017 às 0:00

Divaldo reduz próprio salário em R$ 1,5 mil

Vice-prefeito e secretários também receberão menos

Chefe do Executivo empossou secretários na tarde de domingo, na prefeitura - Créditos: Tiago Rolim de Moura
Chefe do Executivo empossou secretários na tarde de domingo, na prefeituraTiago Rolim de Moura
Posse festiva encerrou primeiro dia de agendas - Créditos: Tiago Rolim de MouraBíblia foi colocada sobre a cadeira do prefeito - Créditos: DivulgaçãoLimpeza da avenida Sete de Setembro marcou início da gestão - Créditos: Rodrigo Sarasol / Especial JMDudu e Divaldo se encontraram na tarde de domingo, para transmissão de cargo - Créditos: Tiago Rolim de MouraPetebista assumiu o cargo pela manhã, no complexo cultural do Museu Dom Diogo de Souza - Créditos: Tiago Rolim de Moura

A reformulação administrativa levada a cabo pelo prefeito Divaldo Lara, do PTB, deve representar uma economia anual de R$ 1 milhão. Além de reduzir os gastos com secretarias, o chefe do Executivo, empossado no domingo, 1º de janeiro, também reduziu seu próprio salário, que passou de R$ 15.708,76 para 14.189,76, pouco mais de R$ 1,5 mil. Por meio de uma legislação específica, o vice-prefeito, Manoel Machado, do PSDB, e os 12 secretários também receberão valores inferiores aos vencimentos concedidos aos integrantes do primeiro escalão do governo petista.
O salário de Machado reduz de R$ 7,8 mil para pouco mais de R$ 7 mil. Os secretários, que recebiam R$ 6.922,40, passam a receber R$ 5.886,53. "Passo a receber menos do que meu antecessor. É para que todos saibam que assumo a prefeitura para governá-la com exemplo", disse, durante cerimônia de posse dos secretários, realizada na tarde de domingo, quando também adiantou mudanças no expediente. "Recebemos uma prefeitura sem papel higiênico, sem vassouras, sem equipamentos. Mas esta máquina, que está velha e enferrujada, voltará a funcionar. Terminou o turno único. Trabalharemos os dois turnos", adiantou.
Ontem, em seu primeiro dia oficial de trabalho, o prefeito, que despachou da secretaria da Fazenda, como havia adiantado, orientou a todos os secretários e coordenadores para que realizassem uma avaliação real sobre as condições em que encontraram os órgãos de sua atuação. Ao mesmo tempo iniciaram o planejamento de 100 dias com planos e objetivos, baseado em reuniões ocorridas no período de transição.

Reduções
Divaldo adiantou, durante sua posse, que vai trabalhar 'para que toda despesa pública seja de conhecimento da população'. "Chegou o momento de fazer economias com os gastos desnecessários com a mão de obra política. Chegaremos a números expressivos com as reduções dos CCs (cargos de confiança), redução dos FGs (Funções Gratificadas), de 90% da propaganda", enumerou.
O prefeito anunciou, ainda, uma nova forma de gestão da frota municipal, pautada pela 'redução do gasto desnecessário'. "A partir de hoje (domingo), teremos 80% dos carros comuns paralisados. A prioridade é carro para a saúde, é carro para a educação, e não carro, combustível e motorista à disposição de cargos políticos, comissionados ou simpatizantes do governo", garantiu.

Secretariado
A relação entre prefeito e vice-prefeito é de cooperação. Em sua primeira manifestação pública, Machado classificou Divaldo como um 'escalador de bons times', em referência à formação do primeiro escalão. Em resposta, o petebista destacou qualidades do tucano. "É o homem que escolhi para fazer esta jornada, com a certeza de que teria, ao meu costado, alguém leal, competente, dedicado, e com força para o trabalho, para enfrentar os inúmeros desafios que teremos pela frente", definiu.
O primeiro escalão será composto por representações de sete das 14 legendas que integram o governo (PTB, PSDB, PMDB, Solidariedade, PP, PSB e DEM). Cléber Carvalho assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Rural; Aurelino Rocha a Secretaria de Economia, Finanças e Recursos Humanos; e Adriana Lara a pasta da Educação e Formação Profissional. Mário Mena Kalil assumiu a Secretaria de Saúde e Atenção à Pessoa com Deficiência.
Bayard Paschoa Pereira foi empossado como titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação. A Secretaria de Gestão, Planejamento e Captação de Recursos foi entregue a Eduardo Deibler. João Schardosim assumiu a pasta da Juventude e do Esporte. Ronaldo Hoesel assumiu a Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano. Aroldo Quintana foi empossado no comando da Secretaria do Meio Ambiente e Proteção ao Bioma Pampa, Carlos Adriano Carneiro (Esquerda) na Secretaria de Assistência Social, Habitação e Direitos do Idoso, Fabiano Marimon na pasta da Cultura e Turismo e o ex-delegado Paulo Véras na Secretaria de Segurança e Mobilidade Urbana.
Volmir Silveira assumiu o Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb). A Procuradoria-Geral do Município foi assumida por Heitor Gularte e a Coordenadoria Geral da Unidade de Controle Interno e Ouvidoria por Ricardo Cougo. Gladimir Aguzzi assumiu a Coordenadoria de Comunicação Social e Memória (CSM) e Alexandre Camargo a chefia de gabinete. "Enxergo no brilho do olho de cada um, a vontade de dignificar esta cidade. Não houve influência partidária. Os nomes apresentados para a população são os melhores entre os melhores", pontuou Divaldo.

Legado
O aspecto simbólico da eleição de Divaldo foi destacado pelo deputado Luís Augusto Lara, do PTB, irmão do novo prefeito. O parlamentar destacou que a posse do petebista representa, do ponto de vista histórico, a ascensão de uma nova geração política. Para o novo chefe do Executivo, o resultado é fruto de um a trajetória iniciada por Lara. "Foi o político que me mostrou o caminho, fez as correções. Através deste legado, começado em 1992, em 2016 elegemos um prefeito. O teu legado, continuado pela Adriana, por mim, pelos meus sobrinhos, certamente ficará registrado na história de Bagé, pelas mãos limpas, pelo trabalho eficiente e sério, comprometido com a ética", disse, em discurso direcionado ao irmão.

Diálogo
O petebista assumiu o governo prometendo estreitar as relações com o Legislativo. "A Câmara de Vereadores é uma instituição que merece respeito e atenção do Executivo. Como prefeito de Bagé, terei esta consideração. Os parlamentares serão tratados à altura de seus mandatos. É assim que deve ser a relação dos poderes, pautada pelo diálogo, pela busca da solução em conjunto. O gabinete do prefeito, do vice e dos secretários estará à disposição a qualquer dia e a qualquer hora. Nosso governo estará sempre de portas abertas", garantiu.
O bom relacionamento com a Câmara é considerado estratégico pelo petebista, que adiantou esperar contar 'com os 15 vereadores da base para buscar soluções para problemas'. "São muitos os problemas, mas não nos faltará vontade e raça. Entendo que a história deste município é maior do que qualquer partido, superior a qualquer ideologia partidária. Temos um enorme desafio. É o desafio de, unidos, resolver os problemas que Bagé tem. É o de enfrentarmos aquilo que muito prometeram. Chegou a hora da sociedade trabalhar junto com o governo", pontuou.
O modelo projetado pelo chefe do Executivo privilegia a participação de representações da sociedade. "Chegou a hora das instituições estarem dentro da prefeitura, e assim estarão através do conselho gestor que vamos montar. Empresários, autoridades religiosas, terceiro setor e lideranças comunitárias. Todos terão sua participação na construção de soluções", definiu, ao salientar, que, no primeiro momento, a intenção é 'equilibrar contas e pagar dívidas, colocar a despesa abaixo da receita". "A prefeitura não trabalhará sozinha. Vai trabalhar de forma articulada com a sociedade", resumiu.
Entre as prioridades elencadas pelo petebista estão a retomada dos voos comerciais, a limpeza urbana, a construção da barragem e a pavimentação de ruas. "Vamos buscar o que há de melhor em outras gestões, humildemente. Queremos buscar o que tem de referência para que Bagé possa implementar. Vamos enfrentar o problema da barragem, alvo de muitas promessas, que é uma obra estruturante e necessária. Vamos colocar asfalto em Bagé. Cidade precisa de calçamento e saneamento", adiantou.

Herança maldita
O termo foi mencionado pela primeira vez, durante manifestação do titular da Secretaria de Gestão, Planejamento e Captação de Recursos, em discurso que marcou a posse dos secretários. "Sabemos as dificuldades que nos aguardam, da herança maldita que recebemos, do tamanho do desafio que iremos enfrentar. Nós sabemos que estamos em meio a uma enorme crise, também municipal. Bagé está devendo dezenas de milhões de reais. Os servidores municipais, em sua grande maioria, são extremamente mal remunerados. Com tristeza, constatamos que Bagé está inscrita no Cadin (Cadastro de Inadimplentes) e no Cauc (Serviço Auxiliar de Informações para Transferências Voluntárias), o que dificulta e impede a captação de recursos federais e estaduais", revelou Deibler.
Ao mencionar números negativos da mortalidade infantil e o deficit com o Fundo de Pensão e Aposentadoria do Servidor (Funpas), o secretário classificou o estado das ruas como 'lamentável'. "Tanto pelos buracos, quanto pela sujeira", salientou, ao mencionar que falta calçamento, bueiros e iluminação nos bairros. "O arroio Bagé, causa primeira da criação do município, sufocado pela poluição, e abandonado por quase todos. Nossas estradas vicinais estão abandonadas, dificultando e encarecendo o escoamento da produção, que ampara nossa economia. As máquinas estão quebradas e os veículos completamente sucateados", relacionou.
Deibler mencionou, ainda, a obra da barragem, 'que precisa ser construída', e destacou como desafio a retomada da operação do aterro sanitário. "Nunca se desrespeitou tanto o suado dinheiro do contribuinte, muitas vezes com compras e gastos exorbitantes. Se sofre a população por um lado, compromete-se a imagem do município, por outro. Sabemos que os desafios que estamos enfrentando são sérios e são muitos. Sabemos que não serão vencidos facilmente ou em espaço curto de tempo. Para todos os lugares que olhamos, existe muito trabalho a ser feito. Mas, os bajeenses podem apostar que nada nos desanimará", concluiu.

Dia agitado
O primeiro dia da gestão petebista foi agitado. Às 5h30min, antes mesmo da posse oficial, uma equipe organizada pelo titular da secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano, Ronaldo Hoesel, varreu e capinou a avenida Sete de Setembro, como forma de fazer referência à "limpeza da casa".
Por volta das 7h30min, ainda antes da posse, Divaldo recebeu autoridades religiosas, em seu gabinete, para uma bênção. Uma Bíblia foi colocada sobre a cadeira do prefeito, em uma roda de orações. O petebista também debateu com pastores a ampliação da programação relacionada à Marcha para Jesus, que acontece em dezembro.
No início da tarde, após a posse, Dudu Colombo, do PT, transmitiu o cargo de prefeito para Divaldo. A cerimônia foi rápida. Os dois gestores não se alongaram nos discursos. Dudu simplesmente agradeceu sua equipe e parabenizou o petebista. Divaldo desejou sucesso ao petista, que deve retomar a carreira de professor. "Desejo que possamos manter uma relação republicana", resumiu o prefeito que assumiu o cargo.
No final da tarde, após empossar os secretários, Divaldo participou da denominada 'posse festiva', evento que reuniu talentos da música. De acordo com a organização, o evento não teve custo para os cofres públicos.


Por: Sidimar Rostan

 
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