Padre Airton Gusmão

sábado, 31 de dezembro de 2016 às 0:00

A não violência: estilo de uma política para paz

Com o coração agradecido pelo ano que findou, queremos acolher o novo ano sob as bênçãos de Deus: "O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz" (Nm 6,22-27). Celebramos neste final de semana a Solenidade da Mãe de Deus e o 50º Dia Mundial da Paz. Sem dúvida é o que todas as pessoas desejam para o novo ano e o que o mundo mais necessita.
Diziam os anjos na noite de Natal: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados". Paz como dom de Deus e compromisso de todos os cristãos e pessoas de boa vontade, a ser construída no cotidiano, no coração de cada um de nós, na família, no trabalho, na comunidade eclesial e nas relações sociais e internacionais.
Esta paz é possível porque a história tem um centro: Jesus Cristo, encarnado, morto e ressuscitado, que está vivo no meio de nós; tem um fim: o Reino de Deus, reino de paz, justiça e liberdade no amor; e tem uma força que se move rumo a este fim: a força é o Espírito Santo. Este Espírito é o poder do amor que fecundou o ventre da Virgem Maria que celebramos neste 1º de janeiro; e é o mesmo que anima as pessoas, os projetos e obras de todos os construtores de paz.
Trazemos presente alguns trechos da mensagem do Papa Francisco pare este Dia Mundial da Paz, que tem como título, - A não violência: estilo de uma política para a paz -: "Respeitemos cada pessoa como dom sagrado, com esta dignidade mais profunda e façamos da não violência ativa o nosso estilo de vida. Sejam a caridade e a não violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais. Desde o nível local e diário até o nível da ordem mundial, possa a não violência tornar-se o estilo característico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas".
Ainda continua dizendo: "Hoje, infelizmente, encontramo-nos a braços com uma terrível guerra mundial aos pedaços. Esta violência se exerce 'aos pedaços', de maneiras diferentes e a variados níveis, provoca enormes sofrimentos de que estamos bem cientes: guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a devastação ambiental.
O próprio Jesus viveu em tempos de violência. Ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano: 'Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos' (Mc 7,21). A mensagem de Cristo é radicalmente positiva: Ele pregou incansavelmente o amor incondicional de Deus, que acolhe e perdoa, e ensinou os seus discípulos a amar os inimigos (Mt 5,44) e a oferecer a outra face (Mt 5,39). Quando impediu aqueles que acusavam a adúltera de a lapidar (Jo 8,1-11) e na noite antes de morrer, quando disse a Pedro para repor a espada na bainha (Mt 26,52), Jesus traçou o caminho da não violência, que Ele percorreu até o fim, até a cruz, tendo assim estabelecido a paz e destruído a hostilidade (Ef 2,14-16). Hoje, ser verdadeiro discípulo de Jesus significa aderir também a sua proposta de não violência.
O próprio Jesus nos oferece um 'manual' desta estratégia de construção da paz no chamado Sermão da Montanha. As oito Bem-aventuranças (Mt 5,3-10) traçam o perfil da pessoa que podemos definir feliz, boa e autêntica. Felizes os mansos - diz Jesus -, os misericordiosos, os pacificadores, os puros de coração, os que têm fome e sede de justiça. No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos de violência, e a construir comunidades não violentas, que cuidem da casa comum. Todos podem ser artesãos de paz".
Vivamos este novo ano sob as bênçãos de Deus e a intercessão de Maria, Mãe de Deus e Rainha da Paz, sendo promotores e instrumentos da paz. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um Feliz Ano Novo a todos e até uma próxima oportunidade.


Por: Padre Airton Gusmão

 
Pesquisar