Fernando Risch

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016 às 16:49

Natal não é nada sem ansiedade

Preciso dizer, antes de qualquer coisa, que estas linhas estão sendo escritas em uma terça-feira, o que pode fazer com que eu venha a cometer equívocos com meu próprio comportamento. O fato é que, faltando pouquíssimos dias para o Natal - e você, que lê estas linhas, perceberá que falta só um -, o espírito do evento da Saturnália ainda não me pegou.
Diga-se também que, este dito espírito, nada mais é que a ansiedade que precede as festas. É aquela ânsia preocupada de sair de casa às onze e meia da noite da véspera de Natal para comprar gelo e não saber se voltará a tempo antes da virada. Porque é aí que mora a graça do Natal, assim como do Réveillon, a virada fictícia para um dia que nada mais é que um dia após o dia em que estamos. Nesta temporada, no caso, um domingo.
Mas essa ansiedade, esse clima de angústia por este dia de festa, misturado com uma tristeza inexplicável, ainda não chegou. E digo isso porque, hoje, no dia em que escrevo isso que você lê, terça-feira, faltando quatro dias para o Natal, ainda não comprei um só presente. Talvez no dia em que essas linhas estejam sendo lidas, eu me movimentarei até alguma loja e comprarei lembranças baratas para entes amados.
Este ano, a máxima de que o brasileiro deixa tudo para a última hora não será válida. Aqueles, que como eu, comprarão os presentes faltando cinco minutos para a loja fechar, não estarão deixando tudo para a última hora, estarão indo cumprir uma obrigação ilusória de uma data que nos obriga a comprar presentes. Tudo isso porque ele, o espírito natalino, que nada mais é que uma ansiedade barata, não tocou nossos corações. Ou nossos sistemas nervosos. Feliz Natal a todos. Ou não.


Por: Fernando Risch

 
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