Padre Airton Gusmão

sábado, 17 de dezembro de 2016 às 0:00

A obediência fecunda a exemplo de Maria e José

Diz um texto de uma canção: "É bela a vida que se dá e um mundo novo faz surgir; Deus quis do homem precisar pro seu Reino de amor construir".
O Papa Francisco na Exortação Apostólica Alegria do Evangelho nos diz: "Precisamos de uma certeza interior, ou seja, da convicção de que Deus pode atuar em qualquer circunstância, mesmo no meio de aparentes fracassos, porque trazemos este tesouro em vasos de barro (2Cor 4,7). Essa certeza é o que se chama de 'sentido de mistério', que consiste em saber, com certeza, que a pessoa que se oferece e entrega a Deus por amor, seguramente será fecunda (Jo 15,15). Muitas vezes, essa fecundidade é invisível, incontrolável, não pode ser contabilizada. A pessoa sabe, com certeza, que a sua vida dará frutos" (nº 279).
Neste quarto domingo do Advento, já bem perto do Santo Natal, temos o Evangelho de Mateus (1,18-24), em que fala da origem de Jesus Cristo, de sua missão e da participação, neste mistério, de Maria e José, dois modelos de fidelidade e disponibilidade ao Plano de Deus.
Maria, sempre atenta aos apelos de Deus e que responde com um "Sim" generoso de total disponibilidade, tornando assim possível a presença salvadora de Deus no mundo. Diz o Documento de Aparecida sobre Maria: "Com ela, providencialmente unida à plenitude dos tempos (Gl 4,4), chega a cumprimento a esperança dos pobres e o desejo de salvação" (nº 267).
São José, como diz o evangelho: "Homem justo, fiel e generoso, que fez conforme o anjo do Senhor havia mandado, aceitou Maria como sua esposa", desempenha um papel importante, pois pela sua obediência silenciosa, realizam-se os Planos de Deus.
Ele é o homem justo porque acolhe na fé o plano de Deus e com Ele colabora; porque adere ao misterioso desígnio de Deus, se ajustando ao modo de agir de Deus, com atitude e exemplo de silenciosa dedicação ao Reino. É um silêncio interior onde José escuta atentamente o que lhe é anunciado, respondendo com generosa confiança. É um silêncio fecundo.
Sem dúvida nenhuma, carecemos, hoje, de um silêncio transformador, proativo. Pois vivemos imersos em ruídos de toda ordem, nas ruas, no trabalho, em casa. Um ruído que destrói, criando, muitas vezes, animosidades, dispersão, vazio, superficialidade; pois com o barulho o espírito humano se acomoda, se anestesia. E aí temos a triste realidade em que as pessoas não sentem mais, não pensam, não existindo um clima favorável para as decisões necessárias.
Podemos dizer que a carência do silêncio nos faz seres superficiais e, com isso, vamos experimentando vazios, superficialidades, palavras sem sentido. Por isso, é importante 'fazer silêncio' para entrar em contato com a realidade, sobretudo para abrir espaço ao Outro dentro de nós, para acolhê-Lo, para ouvi-Lo e entrar em sintonia com sua Vontade. Esta foi a experiência de Maria e José diante do convite de Deus.
Hoje Deus continua procurando "Josés", homens e mulheres que protejam a vida, alimentem a esperança e possibilitem o nascimento de um mundo mais justo, mais conforme a Salvação que Deus quer para cada ser humano. E isso é possível em um clima de silêncio fecundo, de obediência e disponibilidade generosa.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.


Por: Padre Airton Gusmão

 
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