Saúde

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016 às 0:00

Parkinson: muito além dos tremores

Uma das doenças degenerativas mais conhecidas e estudadas no mundo, o Parkinson afeta 1% da população mundial acima dos 65 anos. As pesquisas para retardar e reverter os efeitos da doença levaram a neurologista Cibele Foletto Lucas a um mergulho em algumas das mais modernas pesquisas sobre a doença, na Itália

Parkinson: muito além dos tremores - Créditos: Reprodução
Parkinson: muito além dos tremoresReprodução
IRCCS San Raffaele está localizado em Roma, Itália - Créditos: Arquivo pessoalCibele esteve um dos grandes institutos de pesquisa sobre a doença - Créditos: Arquivo pessoalCaneta com apomorfina é utilizada em situações emergenciais de dificuldade de locomoção - Créditos: Arquivo pessoalAparelho melhora marcha dos pacientes - Créditos: Arquivo pessoal

Parkinson: muito além dos tremores

Uma das doenças degenerativas mais conhecidas e estudadas no mundo, o Parkinson afeta 1% da população mundial acima dos 65 anos. As pesquisas para retardar e reverter os efeitos da doença levaram a neurologista Cibele Foletto Lucas a um mergulho em algumas das mais modernas pesquisas sobre a doença, na Itália. Nesta edição, ela conta um pouco sobre a experiência.

Tecnologia e ciência em favor da vida
A doença de Parkinson é uma das doenças neurológicas mais comuns atualmente. No mundo inteiro, ela atinge todos os grupos étnicos e classes socioeconômicas. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 1% da população mundial acima de 65 anos é afetada por ela. A prevalência estimada (total de casos em uma população em um determinado período) é de 100 a 200 casos por 200 mil habitantes.
Descrita pela primeira vez em 1817, pelo médico inglês, James Parkinson, é uma doença neurológica, que afeta os movimentos do indivíduo. Causa tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular, desequilíbrio além de alterações na fala e na escrita.
Apesar de não ser uma doença fatal, afeta severamente a qualidade de vida. Não tem relação com a perda de memória ou a capacidade intelectual, nem há evidências de que seja hereditária. Apesar dos avanços científicos, ainda é incurável, progressiva (variável em cada paciente) e a sua causa ainda continua desconhecida até hoje.
Tratando diversos pacientes com este quadro, a neurologista Cibele Foletto Lucas, ao participar do lançamento de uma nova medicação em São Paulo, em fevereiro deste ano, teve a oportunidade de conhecer um dos principais pesquisadores da área, o médico italiano Dott Fabrizio Stocchi.
Assim surgiu a oportunidade de trabalhar junto ao pesquisador. "Nesta ocasião, tive a oportunidade de ser aceita no seu serviço para um estágio. No final, participei de um curso de atualização sobre Parkinson para médicos italianos, realizado uma vez ao ano", conta Cibele.

Acompanhamento em todas as áreas
O estágio foi realizado no Instituto di Ricovero e Cura a Carattere Scientifico San Raffaele Pisana (Instituto de Internação e Cuidados com Caráter Científico) em Roma. A neurologista ressalta que o local é uma referência mundial na pesquisa e tratamento da doença, chefiado por Stocchi. "No hospital, existem vários serviços que trabalham junto à neurologia, como fisioterapia, psicologia, geriatria, enfermagem e fonoaudiologia. Na fisioterapia, eles trabalham a fisioterapia convencional, com "robot", que é um simulador de movimentos, com realidade virtual, entre outras", conta a médica.
Ela relata que não apenas o tratamento de caráter físico é necessário. Também o acompanhamento psicológico é extremamente importante, desde o início dos sintomas. Além disso, ressalta que as testagens neuropsicológicas, segundo diversas pesquisas, são muito importantes para um correto diagnóstico e prognóstico. "A transição de ser uma pessoa forte, independente e saudável, para progressivamente conviver com a doença pode ser muito complexa e frustrante. Portanto, é necessário dar suporte ao paciente e também ao cuidador, para enfrentar de modo adequado os sintomas e ser mais proativo", afirma.
Outra área de especialidade médica que recebe atenção especial durante o tratamento de Parkinson é a fonoaudiologia. Cibele destaca a importância de trabalhar com a performance vocal, junto a um médico otorrinolaringologista. "Os pacientes com Parkinson apresentam, com o tempo, uma voz mais baixa e de difícil entendimento, dificuldades de deglutição e escrita", aponta.
Assim, a fonoaudiologia trabalha com o otorrino para avaliar a capacidade de deglutição através de endoscopia. "O paciente é observado ao engolir para ser ver sua capacidade de deglutição. A partir daí, se orienta o tipo de alimentação e os exercícios para melhorar a deglutição", relata.
A mobilidade do paciente é, muitas vezes, severamente afetada pela condição. Reverter ou amenizar esses reflexos é o que pretendem os estudos desenvolvidos no instituto.

Novos métodos
A médica ressalta que o suporte medicamentoso na Itália é maior que o do Brasil, mas antecipa que muitos desses métodos e medicamentos devem chegar ao País ainda em 2017. E Bagé deve ser uma das primeiras cidades onde os métodos italianos serão aplicados. "Pude ver como fazem o manejo terapêutico nas diversas fases da doença e já estou trazendo estas novidades para meus pacientes", adianta.
Uma das novas técnicas é a infusão constante de levodopa, em que através de um aparelho colocado cirurgicamente, o paciente recebe doses constantes da medicação no estômago. Outra medicação apontada pela médica, inovadora no tratamento, é a caneta com apomorfina, que atua emergencialmente quando o paciente "tranca", isto é, quando fica rígido com muita dificuldade de movimentação.  "A doença de Parkinson é crônica, mas nós temos muito a oferecer. Trouxe todas as orientações e testagens que vamos começar a desenvolver já no inicio de 2017. Estamos formando uma equipe interdisciplinar de profissionais capacitados para atender estes pacientes", adianta.

 

Sintomas da doença de Parkinson
 

O quadro clínico basicamente é composto de quatro sinais principais. Mas para o diagnóstico, não é necessário, entretanto, que todos os elementos estejam presentes, bastando dois dos três primeiros itens citados.
- Tremores;
- Acinesia ou bradicinesia (lentidão e diminuição dos movimentos voluntários);
- Rigidez (enrijecimento dos músculos, principalmente no nível das articulações);
- Instabilidade postural (dificuldades relacionadas ao equilíbrio, com quedas frequentes).

 


Por: Jornal Minuano

 
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