Fernando Risch

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016 às 15:20

Não faz sentido protestar contra a corrupção

Quem sai às ruas para protestar sobre algo, invariavelmente, precisa ter alguém que se oponha àquilo que ela protesta. Você pode, por exemplo, protestar contra o aborto ou a favor do aborto, visto que é um tema o qual divide opiniões: uns contra, outros a favor. Dentre todas as coisas que se pode protestar, corrupção não é uma delas.

Ninguém está dividido sobre a corrupção - não abertamente, diga-se. Na teoria, ninguém é a favor a ela. Não há o protesto dos corruptos, que sentem orgulho de suas tramoias e saem às ruas para pedir que os deixem roubar. Até o mais corrupto dos corruptos é contra a corrupção, e talvez ele sequer saiba que é corrupto. Você, leitor, não sabe que é corrupto, mas é. Todos somos corruptos e mentirosos. Faz parte da essência humana.

Assim, não há sentido algum em protestar sobre algo que ninguém defende, sobre algo que, teoricamente, todos são contra. Contra quem estamos protestando? Contra a classe política? Pois ela, a classe dos políticos, dirá que também reforça o coro das ruas contra os corruptos. Tem alguns que até se juntam a essas passeatas, dissimulados, e depois são desmascarados. Há quem vote a favor de um impeachment alegando que está combatendo a corrupção e depois seja preso por desvio de verba. Acontece nos melhores países e nos piores processos de impeachment.

No último domingo, o público que foi às ruas tinha cara, cor,  classe social. O público que foi às ruas, de forma reduzida, era o mesmo que outrora fora em alguns outros domingos para pedir mudanças, mesmo sem saber que mudanças seriam aquelas. Quem marchou às ruas no último domingo, não marchava para combater a corrupção, marchava para lavar as próprias mãos. Eram milhões de Cunhas, como alguns mesmo alegaram.Corruptos, mas íntegros, pedindo para terem suas culpas exorcizadas, removendo de si a responsabilidade de seus próprios atos do passado.


Por: Fernando Risch

 
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