Saúde

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016 às 0:00

Diabetes: questão de saúde pública

O número de adultos com Diabetes Mellitus (DM) quadriplicou em todo o mundo, em menos de quatro décadas, chegando a 422 milhões de casos, o que faz com que a doença se torne uma questão central para a saúde pública global. O aumento de casos do DM ocorre em virtude do crescimento e envelhecimento populacional, da maior urbanização, da progressiva prevalência de obesidade e sedentarismo.

Diabetes: questão de saúde pública - Créditos: Reprodução
Diabetes: questão de saúde públicaReprodução
O jornalista Emanuel Müller é cliente da nutricionista Renata - Créditos: Arquivo pessoalDiabetes: questão de saúde pública - Créditos: ReproduçãoDiabetes: questão de saúde pública - Créditos: ReproduçãoDiabetes: questão de saúde pública - Créditos: ReproduçãoA nutricionista Renata Meirelles  - Créditos: Arquivo pessoal. - Créditos: Reprodução

Diabetes: questão de saúde pública

O número de adultos com Diabetes Mellitus (DM) quadriplicou em todo o mundo, em menos de quatro décadas, chegando a 422 milhões de casos, o que faz com que a doença se torne uma questão central para a saúde pública global. O aumento de casos do DM ocorre em virtude do crescimento e envelhecimento populacional, da maior urbanização, da progressiva prevalência de obesidade e sedentarismo.
No Brasil, a prevalência do DM é 8,1%, e é maior nas mulheres (8,8%) do que nos homens (7,4%). O excesso de peso afeta 54,2% dos brasileiros e a obesidade 20,1%. A doença representa 6% de todas as mortes.
O DM é considerado um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresenta em comum à hiperglicemia, resultante de defeitos na ação da insulina, na secreção de insulina ou em ambas. A hiperglicemia se manifesta por sintomas como aumento do volume urinário, muita sede, perda de peso e visão turva, ou ainda por complicações agudas que podem levar ao risco de vida, como nos casos de cetoacidose.
A hiperglicemia crônica é associada ao dano, bem como à disfunção e à falência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos.
Nesta edição, a nutricionista Renata Meirelles fala sobre a doença e o tratamento.

O que é, como prevenir e tratar a diabetes

A nutricionista Renata Meirelles destaca que a classificação atual do DM baseia-se na causa:
DM1- esta forma encontra-se em 5 a 10% dos casos, sendo o resultado da destruição de células beta-pancreáticas com consequente deficiência de insulina. Ocorre principalmente em crianças, sendo a segunda doença crônica mais frequente na infância. O tratamento se dá através de múltiplas aplicações diárias de insulina.

DM 2 - esta forma é verificada em 90 a 95% dos casos e caracteriza-se por defeitos na ação e secreção da insulina e na regulação hepática de glicose. Pode ocorrer em qualquer idade, mas geralmente é diagnosticada após os 40 anos. Os pacientes não precisam de insulina exógena para sobreviver, usam antidiabéticos orais, porém podem necessitar de tratamento com insulina para um melhor controle metabólico.

DM GESTACIONAL - Trata-se de qualquer intolerância à glicose, com diagnóstico durante a gestação. Na maioria dos casos, há reversão após a gravidez, porém há risco de desenvolver DM2 dentro de 5 a 16 anos após o parto.

"Prevenção efetiva também significa mais atenção à saúde de modo eficaz. Isso pode ocorrer mediante prevenção (primária) no início do DM ou de suas complicações agudas e crônicas (secundária). Atualmente, a prevenção primária do DM1 não tem uma base racional que se possa aplicar a toda população. As proposições mais aceitáveis baseiam-se no estímulo ao aleitamento materno e em se evitar a administração do leite de vaca nos três primeiros meses de vida. Quanto ao DM2, condição na qual a maioria dos indivíduos também apresenta obesidade, hipertensão arterial e dislipidemia, as intervenções, especialmente pela dieta e estímulo à prática de atividade física, visam combater o excesso de peso, o que, além de prevenir o surgimento do DM, evita doenças cardiovasculares e reduzi a mortalidade", acrescenta a nutricionista.
Renata destaca que a importância da terapia nutricional no tratamento do DM tem sido enfatizada desde a sua descoberta, bem como sua função na prevenção, gerenciamento da doença e na prevenção das complicações decorrentes.

"A dieta e as mudanças no estilo de vida são fundamentais no tratamento do DM2. A perda de peso, mesmo que discreta (em torno de 5 a 10% do peso corporal), melhora a sensibilidade hepática à insulina e também a função das células beta-pancreáticas, ou seja, a insulina passa a ser secretada com maior eficiência e tem sua ação periférica melhorada", complementa.

Com base em seu tipo de terapia medicamentosa, meta individual, hábitos e rotina, o nutricionista pode auxiliar a estabelecer um planejamento alimentar, salienta a profissional. "Erroneamente dieta virou sinônimo de privação, quando, na verdade, significa maneira saudável de se alimentar. A recomendação é exatamente a mesma para pessoas que não têm diabete e desejam alimentar-se de forma correta: equilibrar o valor energético entre carboidratos, proteínas e gorduras", informou a especialista.

Embora o carboidrato seja o nutriente que mais influencia nos valores de glicemia pós-alimentar, os alimentos que contêm esses nutrientes são também importantes fontes de energia, fibra, vitaminas e minerais e não devem ser eliminados, complementa Renata. "As fibras, presentes nos cereais integrais, nas frutas e nos vegetais, que são fontes de carboidratos, são sempre bem-vindas, pois retardam a absorção da glicose. Convém lembrar que diabéticos não devem ingerir sucos de frutas naturais pela alta concentração de frutose (açúcar da fruta) e escolher apenas um tipo de cereal por refeição (ou arroz, ou massa, ou batata, ou farinha, ou milho verde) e que a combinação de um cereal com o feijão faz com que os níveis de glicose subam menos do que a ingestão somente do cereal. O grão de feijão tem fibra que retarda a absorção da glicose, mas o feijão deve ser preparado sem carnes no seu caldo. O arroz integral contém maior quantidade de fibra do que o arroz branco, mas contém o mesmo valor calórico. Portanto, se você optar pelo arroz integral, lembre que não dá direito a aumentar a quantidade", declara a profissional de nutrição.
É importante lembrar que a alimentação do diabético deve ser fracionada de três em três horas, relata a nutricionista, principalmente em decorrência da administração de insulina ou antidiabéticos orais, que são administrados prevendo a ingestão regular de alimentos durante o dia.
"A contagem de carboidratos é uma ferramenta importante no tratamento do diabetes e deve ser inserida no contexto de uma alimentação saudável. Prioriza o total de carboidratos consumidos por refeição, considerando que sua quantidade é determinante para a resposta glicêmica após a refeição. Isso porque os carboidratos são convertidos 100% em glicose, em um período que varia de 15min a 2h, enquanto 35 a 60% das proteínas em um período de 3h a 4h, e somente 10% das gorduras, em um  período de 5 horas. Essa conversão também explica o motivo pelo qual quando se ingere um churrasco no almoço de domingo, a glicemia ficará alterada na medição noturna. Embora carne não tenha carboidrato, é a proteína e a gordura da carne se transformando em glicose", explica a especialista.
Renata informa que, embora se deva evitar alimentos ricos em açúcares (açúcar refinado ou mascavo, melaço, caldo de cana e mel) porque são rapidamente absorvidos e chegam com  maior velocidade à corrente sanguínea, a sacarose (açúcar de mesa) não aumenta mais a glicemia do que outros carboidratos quando ingerida em quantidades equivalentes. Dessa maneira, não necessita ser restringida, mas deve ser substituída por outra fonte de carboidrato do seu planejamento alimentar, conforme orientação da nutricionista. O alerta vale para bolos, doces e bebidas que levam esses ingredientes.
Quanto às proteínas, deve se dar prioridade para carnes magras (em preparações assadas, cozidas ou grelhadas), leites desnatados, iogurtes desnatados e sem adição de açúcar.
Quanto a bebidas alcoólicas, a nutricionista ressalta que para adultos, a ingestão diária de álcool deve ser limitada a uma dose para mulheres e duas doses para homens. Entende-se por dose: 150ml vinho (1 taça), 360ml cerveja (1 lata) ou 45 ml destilados (1 dose com medidor padrão).
"Os adoçantes não são essenciais ao tratamento do diabetes, como a medicação oral/insulina e o monitoramento de glicemia, mas podem favorecer o convívio social e a flexibilidade alimentar. No Brasil, estão aprovados pela Anvisa, o sorbitol, manitol, isomaltitol, sacarina, ciclamato, aspartame, stevia, acessulfame de potássio, sucralose, neotame, taumatina, lactitol, xilitol e eritritol", descreve.
Em relação aos produtos diet, eles não devem ser ingeridos à vontade, também argumenta a especialista. "A descrição diet nem sempre é sinônimo de isenção de açúcar, e, sim, de determinado nutriente, que pode ser gordura ou sal. É muito importante observar as informações contidas nos rótulos. Além disso, a ausência de açúcar no produto não lhe isenta de conter calorias e gorduras em sua composição", relata.
Renata conclui dizendo que, portanto, o DM exige alguns cuidados que são para o resto da vida, tanto para o paciente, quanto para a família. Ambos precisam tomar uma série de decisões relacionadas ao tratamento do diabetes: medir a glicemia, administrar medicamentos, exercitar-se regularmente e ajustar os hábitos alimentares. Como as consequências do tratamento são baseadas nas decisões tomadas, é de extrema importância que as pessoas com diabetes recebam educação alimentar de qualidade, ajustada às necessidades e fornecida por profissionais de saúde qualificados.

Como descobrir

Valores de glicemia para diagnosticar o diabetes:

*Os testes de glicemia refletem o nível glicêmico no momento em que foram realizados, enquanto os testes de hemoglobina glicosilada revelam a glicemia média pregressa dos últimos 120 dias. Os diabéticos devem manter esses níveis menores do que 7%, pois se mostra aí uma redução das complicações a longo prazo.
** Durante um bom tempo, a TGD foi considerada apenas um estágio anterior à ocorrência da diabetes, sem maiores repercussões. Hoje, se sabe que a TGD também provoca efeitos deletérios no organismo. Há uma forte correlação entre a TGD e as doenças cardiovasculares. Essa condição pode ser revertida com mudança de hábitos alimentares e mudanças no estilo de vida. Caso contrário, leva ao DM.

Divulgação

O jornalista Emanuel Müller é cliente da nutricionista Renata. Eles realizaram uma panfletagem durante a Feira do Livro, na Praça da Estação, visando orientar a comunidade sobre a doença.

Segundo Müller, um grupo irá fazer essas ações nos finais de semana nas praças. "Também estive no Conselho de Saúde, pois há 11 tipos de insulinas, e temos, hoje, disponíveis pelo SUS, apenas dois; conseguimos os outros tipos mediante solicitação judicial", explicou.


Por: Jornal Minuano

 
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