José Artur Maruri

sexta-feira, 18 de novembro de 2016 às 17:52

Sócrates e os princípios do espiritismo

Em nossa última participação, trouxemos diversos apontamentos que constam da introdução de "O Evangelho Segundo Espiritismo" e que indicam que pensadores da Grécia antiga, como Sócrates e Platão, pressentiram a ideia cristã e difundiram princípios fundamentais do Espiritismo.
  Vejamos alguns escritos atribuídos a Sócrates, já que ele mesmo não deixou nada escrito:
  "I. O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, existia unida aos tipos primordiais das ideias do verdadeiro, do bem e do belo; separa-se deles, encarnando, e, recordando o seu passado, é mais ou menos atormentada pelo desejo de voltar a ele".
  Resta cristalina a distinção e independência entre o princípio inteligente (alma) e o princípio material (corpo físico). É tratada, em essência, a doutrina da preexistência da alma.
  "II. A alma se transvia e perturba, quando se serve do corpo para considerar qualquer objeto; tem vertigem, como se estivesse ébria, porque se prende a coisas que estão, por sua natureza, sujeitas a mudanças; ao passo que, quando contempla a natureza, permanece aí ligada, por tanto tempo quanto possa. Cessam então seus transviamentos, porque está unida ao que é imutável e a esse estado da alma é que se chama sabedoria".
  Allan Kardec elucida a visão exposta no segundo tópico:
  "Ilude a si mesmo o homem que considera as coisas de modo terra a terra, do pondo de vista material. Para as apreciar com justeza, tem de as ver do alto, isto é, do ponto de vista espiritual. Aquele, pois que está de posse da verdadeira sabedoria, tem de isolar do corpo a alma, para ver com os olhos do Espírito. É o que ensina o Espiritismo".
  "III. Enquanto tivermos o nosso corpo e a alma se achar mergulhada nessa corrupção, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos: a verdade. Com efeito, o corpo nos suscita mil obstáculos pela necessidade em que nos achamos de cuidar dele. Ademais, ele nos enche de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, impossível se nos torna ser ajuizados, nem por um instante. Todavia se não nos é possível conhecer puramente coisa alguma enquanto a alma nos está ligada ao corpo, de duas uma: ou jamais conheceremos a verdade, ou só conheceremos após a morte. Libertos da loucura do corpo, conversaremos então, lícito é esperá-lo, com homens igualmente libertos e conheceremos, por nós mesmos, a essência das coisas. Essa a razão por que os verdadeiros filósofos se exercitam em morrer e a morte não se lhes afigura, de nodo nenhum, temível".
  Encontra-se inserto no dispositivo acima o princípio das faculdades da alma obscurecidas por motivo dos órgãos corporais e o da expansão dessas faculdades depois da morte. Isso ocorre apenas com as almas já depuradas; o mesmo não se dá com as almas impuras. (ver. o Céu e o Inferno, 1ª parte, cap. II; 2ª parte, cap. I).
  Semana que vem traremos outras que irão complementar as que apresentamos hoje.

   (Referências: Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB Editora. Introdução. p. 32-33)


Por: José Artur M. Maruri dos Santos

 
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