Saúde

segunda-feira, 14 de novembro de 2016 às 0:00

Prematuridade: cuidando dos pequenos

O dia 17 de novembro foi escolhido como o Dia Mundial da Prematuridade. O objetivo é chamar a atenção para um problema que atinge 15 milhões de crianças todos os anos ao redor do mundo.

Prematuridade: cuidando dos pequenos - Créditos: Reprodução
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Prematuridade: cuidando dos pequenos

O dia 17 de novembro foi escolhido como o Dia Mundial da Prematuridade. O objetivo é chamar a atenção para um problema que atinge 15 milhões de crianças todos os anos ao redor do mundo.  No Brasil, 340 mil bebês nasceram prematuros somente em 2015, segundo dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. Isso significa que nascem 931 prematuros por dia ou 40 por hora, no País, indicando uma taxa de prematuridade de 12,4. A data, também conhecida como o Dia Internacional da Sensibilização para a Prematuridade, foi criada em 2009, sendo seguida em países como o Canadá, Estados Unidos, Austrália e Portugal. Nesta edição, a médica pediatra, especialista em neonatologia, Cledinara Salazar, aponta métodos e como são cuidados com os pequenos prematuros.

Métodos e cuidados com os prematuros
A pediatra Cledinara Salazar destaca que o dia 17 é celebrado em mais de 50 países, com o intuito de lembrar o prematuro, pensar em estratégias para diminuir a taxa de prematuridade, evidenciar a importância da assistência médica adequada aos bebês e a prevenção do parto prematuro quando possível, a partir de um pré-natal completo, e aumentar a visibilidade sobre o assunto ao desmistificar o fato de que prematuros tenham, inevitavelmente, qualquer tipo de complicações durante seu desenvolvimento e crescimento.

Dados
Cledinara conta que a gravidez completa dura entre 37 e 42 semanas. "Prematuros são todas as crianças nascidas menores de 37 semanas, sendo que em sua maioria, são também recém- nascidos de baixo peso. Isto é, têm peso menor que 2500g, considerando-se que quanto menor o peso ou a idade gestacional, maiores são os riscos para sobrevivência", explica.
Dados de pesquisa inédita, coordenada pela Unicamp, em 2013, podem contribuir para os esforços na redução da prematuridade. O estudo acompanhou, durante um ano, mais de 30 mil nascimentos, em 20 maternidades de referência das regiões sul, sudeste e nordeste, apontando os principais riscos para nascimentos prematuros no País.
A taxa média de prematuridade detectada na pesquisa foi de 12,3%, bem parecida com a evidenciada pelos dados oficiais do País. O índice foi maior na região nordeste (14,7%) e menor na sudeste (11,1%). Quase 80% dos nascimentos prematuros ocorreram entre a 32ª e a 36ª semana de gestação e 7,4% antes das 28 semanas.
"Todo prematuro tem direito ao tratamento estabelecido pela ciência, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza ou qualquer outra condição. Sendo assim, todo prematuro tem o direito de ser cuidado por uma equipe multidisciplinar capacitada a compreendê-lo, interagir com ele e a tomar decisões harmônicas em seu beneficio e em prol de seu desenvolvimento" Artigo IV - Declaração Universal dos Direitos do Bebê Prematuro Dr. Luís Alberto Mussa Tavares.
A profissional em neonatologia salienta que, muitas vezes, o bebê nascido prematuramente permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal por longo período, afastado de seus pais para receber os cuidados necessários à manutenção de sua vida. "Nessas situações, a equipe de saúde tem papel fundamental no sentido de favorecer o fortalecimento dos laços afetivos entre os pais e o bebê prematuro", completa.
"Os pais precisam, portanto, sentir que aquela criança é o 'seu filho' e isso acontece quando inicia um contato físico mais próximo com o bebê, através de visitas, olhando o recém-nascido e deixando-o ver seus pais (olho a olho)", enaltece a pediatra. "Para facilitar a interação, os pais podem falar com o bebê antes de tocá-lo, fazendo com que saiba que estão ali. A voz suave da mãe o acalma e seu toque carinhoso dá segurança e tranquilidade (pele a pele)", acrescenta Cledinara.
A médica enfatiza que isso vai ajudar no vínculo com o filho, como, também, amamentar, fazer cuidado-canguru (o bebê é colocado sobre o peito da mãe ou do pai, ficando aquecido, pois estará em contato direto com o corpo materno ou paterno).  Cledinara informa que o método Canguru é um tipo de assistência neonatal que implica em contato pele a pele o mais cedo possível entre os pais e o recém-nascido, de forma crescente e pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, promovendo autonomia e competência parental a partir do suporte da equipe, da interação familiar.  "O sucesso do tratamento de um bebê internado em UTI neonatal não é determinado apenas pela sua sobrevivência e alta hospitalar, mas também pela construção de vínculos que irão garantir a continuidade do aleitamento materno e dos cuidados após a alta", esclarece.
A pediatra destaca que, durante todo o período em que o bebê permanece internado, sua família necessita ser preparada para a alta hospitalar. "Como cuidar de um bebê de aparência tão frágil? Qual o comportamento esperado de um bebê que ficou seus primeiros meses de vida dentro de uma incubadora, na UTI Neonatal? Como alimentar o bebê?", enumera a especialista.
Quando a criança recebe alta hospitalar, geralmente a família sente ansiedade e insegurança, por ter que assumir a responsabilidade de cuidá-la, pois compara seus cuidados ao tratamento especializado que recebeu no hospital, garante a profissional.

Os principais objetivos do acompanhamento ambulatorial do recém-nascido prematuro são:
 Promover a supervisão de saúde, com orientações quanto à nutrição e ao crescimento e desenvolvimento da criança.
 Oferecer suporte emocional à família e à criança.
 Avaliar riscos e eventuais alterações no crescimento e no desenvolvimento durante as consultas.
 Promover intervenção precoce e efetiva no crescimento e desenvolvimento da criança, com técnicas de estimulação essencial e orientação interdisciplinar.

Cledinara diz que para tais ações é preciso uma equipe multidisciplinar composta de:
 Médico pediatra e neonatologista para os cuidados de saúde;
 Fisioterapia: a estimulação, também chamada de intervenção precoce, deve ser obrigatória nesta fase;
 Fonoaudiologia: acompanhamento da audição e linguagem;
 Nutrição: deve ser avaliada rotineiramente juntamente com pediatra neonatologista, com cálculo dos aportes hídrico, calórico e proteico, que devem ser adequados às necessidades e peculiaridades de cada criança;
 Oftalmologia: acompanhamento evolutivo da visão;
  Serviço social: importante para detectar e ajudar a família a superar problemas sociais que possam refletir diretamente no crescimento e desenvolvimento da criança;
  Psicologia: aplicar testes específicos para avaliar o desenvolvimento e o comportamento das crianças.

Prematuridade em Bagé

Os recém-nascidos prematuros provenientes de Bagé e região têm seu leito garantido na UTI neonatal da Santa Casa, onde são acompanhados durante todo o período necessário de internação, conforme esclarece Cledinara. "Dependendo da idade gestacional e do peso, permanecem internados de um a três meses. Sendo atendidos não somente pelos pediatras intensivistas, mas por toda uma equipe de fisioterapeutas, fonoaudiólogo, oftalmologista, psicólogo, ecografista, assistência social, nutricionista e demais especialidades médicas quando for necessário", informa.
Após alta hospitalar, os rebebês de muito baixo peso, peso menor de 1600g, de toda a região, são encaminhados para o Ambulatório de Seguimento de Prematuros (parceria realizada pela Santa Casa de Bagé e Secretaria Municipal de Saúde), onde serão atendidos por uma equipe multidiciplinar, composta de neonatologista, pediatra, nutricionista, assistente social, psicóloga, oftalmologista e fisioterapeuta. "Este atendimento se realiza no posto Camilo Gomes, nas terças e quintas-feiras", acrescenta a médica. Neste ano, para comemorar o Dia internacional da Prematuridade, haverá atividades entre a UTI Neonatal e Ambulatório de Seguimento de Prematuros.

São elas:
- As unidade serão decoradas alusivas ao dia da prematuridade;
- Estaremos divulgando folders de esclarecimento sobre a prematuridade e local de atendimento destes pacientes após a alta;
- Divulgação na mídia sobre esta importante data.


Por: Jornal Minuano

 
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