Padre Airton Gusmão

sábado, 12 de novembro de 2016 às 0:00

Uma esperança sempre ativa

Estamos chegando ao final do Ano Jubilar da Misericórdia, com o encerramento em nossa Diocese de Bagé neste final de semana. Com certeza, foi e está sendo um ano de graças, pois presenciamos e celebramos a misericórdia de Deus para com toda a humanidade. Esta misericórdia como tema central de nossa fé cristã, como o agir do Pai e o critério para todos nós que queremos ser e viver como seus verdadeiros filhos. Ele por primeiro usou de misericórdia para conosco e nos deixou o convite: "Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia". Neste Ano Jubilar da Misericórdia, valorizamos e aprofundamos o sentido do sacramento da reconciliação e a importância do perdão; redescobrindo o valor sempre atual das obras de misericórdia. Termina neste Ano proclamado pelo Papa Francisco, porém precisaremos sempre da misericórdia do Pai, com o convite de sermos misericordiosos, enquanto cristãos e também como Igreja.
Uma vez perguntado por um repórter sobre a necessidade de misericórdia para a humanidade hoje, o Papa Francisco respondeu: "Porque é uma humanidade ferida, uma humanidade que possui feridas profundas. Não sabe como curá-las. E não são apenas as doenças sociais e as pessoas feridas pela pobreza, pela exclusão social, pelas inúmeras escravidões do terceiro milênio. Também o relativismo fere muitas pessoas: tudo parece igual, tudo parece o mesmo. A humanidade precisa de misericórdia. Pio XII, há mais de meio século, disse que o drama da nossa época era termos perdido o sentido do pecado, a consciência do pecado" (O nome de Deus é Misericórdia, Andrea Tornielli).
O nosso mundo e o nosso Brasil passam hoje por mudanças climáticas, políticas, religiosas e culturais. E essas mudanças provocam em nós instabilidade, insegurança, medo, ansiedade, sentimento de ameaça e muitas incertezas. E como consequência, poderemos pensar ou sentir a tentação de que é o fim do mundo, de que não tem mais solução.
Estamos chegando ao final do Ano Litúrgico e a Palavra de Deus (Lc 21,5-19) nos convida a pensar sobre a história do mundo e a história da Salvação. Nós cristãos consideramos a história como uma trajetória que Deus acompanha em vista da realização do seu Reino e é este que vai dando sentido à história da humanidade
O importante é saber ler os sinais dos tempos e estar preparado para o novo começo, pois em todo acontecimento uma crise se revela, e em toda crise, uma ou mais portas se abrem. Porém, existe um perigo: o de pensar de que esperando a intervenção de Deus com o seu reinado, podemos nos acomodar, nos omitindo, nos deixando vencer pela preguiça, comodidade, indiferença, desistindo de buscar um outro mundo e sociedade mais conforme a vontade de Deus, justo, humano, fraterno e solidário.
Jesus nos recorda diante desta situação: "'Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé; vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida" (Lc 21,13-19). O Senhor nos diz: "Não se deixem enganar, não tenham medo, ergam a cabeça porque a libertação está próxima".
Façamos a nossa parte. Sejamos misericordiosos, alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.


Por: Padre Airton Gusmão

 
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