Dilce H. dos Santos

terça-feira, 8 de novembro de 2016 às 0:00

A hora do descarte

Início de novembro, fim de ano, começam as campanhas publicitárias de Natal e alguns se perguntam se o ano já acabou mesmo, se foram realistas os planos e sonhos projetados para 2016, se vamos repetir os erros, ou retomar os sonhos, empurrar com a barriga decisões para mais uma virada... Hora perfeita para pensar em descartar o que não serve mais. Momento propício para conseguir um tempinho e fazer uma seleção do que fica em nossa vida, o que pode ter melhor uso nas mãos de outra pessoa e, ainda, aquilo que merece se transformar em outra coisa; o que precisa ser reciclado!
Guarda roupas, armários da cozinha, estante de livros, de brinquedos, objetos de decoração, todos podem passar pela experiência da seleção fácil para alguns, muito difícil para outros. Algumas vezes nossa preguiça em descartar e egoísmo são travestidos de apreço ou apego a uma imagem do passado. Difícil abrir mão, afinal este livro ganhei da minha amiga, esta blusa usei na formatura da minha irmã, este joguinho foi presente de aniversário de 6 anos, e assim vão motivos e mais motivos para guardar, acumular; mesmo que sejam guardados, e que nunca sejam visitados, jamais revistos nem tocados ou suas lembranças evocadas saudavelmente.
Na verdade, creio mesmo que a vida é uma grande coleção de experiências, lembranças, afetos, vínculos, histórias e pessoas que marcaram, mas todo grande colecionador aprende mais cedo ou mais tarde que mais importante que guardar é saber o que guardar e do que se desfazer. Objetos, por mais complicados que sejam de desapegar, são apenas simbólicos da grande dificuldade que realmente temos de nos despir de velhos hábitos e costumes. Temos medo de não nos reconhecermos ao crescer, inovar, melhorar!
Esta é uma boa hora para descartar:
O julgamento sem sabedoria, o preconceito, a preguiça, a explicação defensiva, a mesmice, a falta de humor, os relacionamentos pesados, a ausência de empatia, o hábito de mentir para si mesmo, as atitudes que trazem tristeza, o eterno adiar, a falta de perdão. É hora ideal para pôr no lixo o pior de todos os hábitos emocionais, aquele que mais ocupa espaço interno: a avareza emocional. Este, sim, nos afasta de todos aqueles planos, sonhos e desejos projetados na virada do ano.


Por: Dilce Helena dos santos

 
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