Padre Airton Gusmão

sábado, 5 de novembro de 2016 às 0:00

As bem aventuranças como caminho para a santidade

A humanidade sempre cultivou a memória dos heróis e das heroínas. A principal finalidade era apresentá-los como gente capaz de práticas esportivas, culturais ou outras, além das forças humanas, para estimular os "simples mortais" a também desenvolver suas aptidões adormecidas no esquecimento ou até na preguiça.
O Prefácio da Liturgia Eucarística da Solenidade de todos os Santos, que celebramos nesta final de semana (6 de novembro), assim reza: "Festejamos hoje a cidade do céu, a Jerusalém do alto, nossa mãe, onde nossos irmãos, os santos, vos cercam e cantam eternamente o vosso louvor. Para essa cidade caminhamos pressurosos, peregrinando na penumbra da fé. Contemplamos alegres, na vossa luz, tantos membros da Igreja que nos dais como exemplo e intercessão".
No Evangelho desta festa, Jesus vendo as multidões, apresenta o caminho, as orientações para a verdadeira felicidade, para a nossa santificação, quando diz: "Bem-aventurados os pobres em espírito; os aflitos; os mansos; os que têm fome e sede de justiça; os misericordiosos; os puros de coração; os que promovem a paz; os que são perseguidos por causa da justiça; vós injuriados e perseguidos por causa de mim" (Mt 5,1-12).
Somente Deus é Santo; porém, por graça participamos de sua santidade e nos unimos a todos os irmãos. A santidade é a vocação de toda a Igreja e de cada fiel, nos diz a Igreja (Constituição Dogmática "Lumen Gentium" - Sobre a Igreja, capítulo V). Ser santo significa pertencer fundamentalmente a Deus, em Jesus Cristo, e na sua Igreja ser batizado e viver a fé no poder do Espírito Santo. A santidade é, de fato, uma participação na vida de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e ela contém o amor de Deus e o amor ao próximo, a obediência à vontade de Deus e o compromisso a favor de cada ser humano. Trata-se de uma vida sustentada pelo Espírito Santo, que os cristãos não cessam de invocar e receber (Rm 1,7-8.11), em especial na liturgia.
A fé nos garante que as bem-aventuranças são a melhor expressão de uma vontade inconformista, decidida a transformar a realidade. Jesus nesta declaração fala de homens e mulheres ativos que, frente a situações concretas injustas, adotam atitudes justas. E pelo fato de adotarem tais atitudes, são bem-aventurados, não desgraçados ou iludidos, segundo os critérios de muitos humanos.
Na segunda leitura desta festa ouvimos o seguinte: "Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é" (1Jo 3,1-3).
A solenidade de todos os santos é uma motivação para todos nós, que nos encontramos a caminho da pátria definitiva. Os santos e santas servem-nos de exemplo, intercessão e motivação, porque nos asseguram que, com a graça de Deus, é possível chegar lá.
No fundo todo ser humano busca a sua realização, pois todos queremos participar da verdadeira felicidade. Viver rumo à santidade é viver a plena realização humana. É dar um sentido à nossa vida, um sentido que nos faz ver o tempo presente com dimensões de eternidade. Quem sabe que pela graça, é chamado à plena comunhão com Deus, procura seguir o caminho das bem-aventuranças, vive em plenitude, é feliz, é santo.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.


Por: Padre Airton Gusmão

 
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