Forte de Santa Tecla

sábado, 15 de outubro de 2016 às 0:00

Um forte...

"Eu peço aos santos do céu que ajudem meu pensamento, e peço neste momento que vou contar minha história, me refresquem a memória, me aclarem o entendimento" (Martín Fierro). Hernández, quando escreveu o clássico sul americano, parece que, neste trecho, faz o Forte de Santa Tecla hablar conosco

Um forte...

*Lasie Wilkel da Silva Júnior
*Acadêmico do curso de História

"Eu peço aos santos do céu que ajudem meu pensamento, e peço neste momento que vou contar minha história, me refresquem a memória, me aclarem o entendimento" (Martín Fierro). Hernández, quando escreveu o clássico sul americano, parece que, neste trecho, faz o Forte de Santa Tecla hablar conosco. História e arquitetura entrelaçam-se para formar, então, um só corpo e desnudar nosso passado. Sim, mesclo o espanhol e o português, pois é isso que nos faz assim, é isso que nos faz ser o que somos: guardiões das estremaduras brasileiras, argentinas e uruguaias.
De certa maneira prefiro transpor-me para dentro daquelas muralhas do forte e vivenciar o sentimento que ali reinara: sofrimento, esperança e contestações. "Aquilo não era serviço. Nem defender a fronteira: aquilo era ratoeira em que o mais gato era o mais forte. Era jogar contra a sorte com uma tava culeira".
O sóbrio Martín Fierro pode, de sorte, nos desvelar tais sentimentos. Ainda há a fortificação e seus baluartes e somente o que ficou foi sua cicatriz na terra, salientes como que a nos dizer: "Catando me han de encontrar aunque la tierra se abra". O fortín representa este povo que aqui vive hoje, após ser demolido em 1776 voltou a ser reerguido em 1778 e, mesmo sendo demolido pelos portugueses em 1801, não morreu, deixou suas marcas para que nos lembrássemos de que aqui vive um povo eviterno.
A revitalização da antiga nova área, na visão de um aluno apaixonado pelo curso de história, é fundamental para perpetuarmos não somente o forte, mas o espírito destes homens dos baluartes, das incômodas acomodações, das noites álgidas do pampa, dos que expandiram os meridianos.
É a forma mais lhana de homenagear os que vieram antes de nós e finalizo com as sábias palavras de Lúcio Costa, para expressar o que podemos viver e sentir se lá estamos, quando analisou as antigas casas interioranas do Brasil: "A gente como que se encontra... E se lembra de coisas que a gente nunca soube, mas que estavam lá dentro de nós; não sei - Proust devia explicar isso direito".


Por: Lasie Wilkel da Silva Júnior

 
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