Raquel B. Garcia

quarta-feira, 6 de julho de 2016 às 17:52

Celular: mocinho ou bandido???

O que é isso? Não tem idade, profissão, condição social ou financeira, lugar nem companhia, aliás nem educação...
Todos os lugares são palco de um uso desenfreado do telefone celular. Estar conectado nas redes e aplicativos virou o primeiro objetivo, o resto é o resto, e neste resto aí, incluem-se as pessoas.
Parece que o freio inibitório, a dita censura e o respeito saíram de moda, e o pior é que a culpa está sendo atribuída ao telefone celular, como se as pessoas não mais tivessem gestão sobre si.
Ele é o bandido desta história, porque permite conectividade, mas uma conectividade relativa, aliás seletiva, porque as pessoas só se conectam ao que têm interesse, e nisso as redes e aplicativos são mestres.
Essa conectividade dá ao indivíduo uma sensação prazerosa de uma pseudo presença múltipla, como se não perdesse nada do que acontece ao seu redor, participando de tudo, mas quando se trata da vida real... 
Aquela expressão "de corpo presente" para designar alguém que está somente com o corpo no lugar devido, porque a cabeça está bem longe dali, é a expressão mais bem empregada nos dias atuais.
A cada lugar, encontram-se pessoas unidas pelo espaço físico, mas conectadas cada uma ao seu mundinho, e o pior é que juram que estão "em contato", a sua frente um universo real de possibilidades, porém substituído por um universo virtual.
Quando se fala de falta de respeito, é porque muitas pessoas estão falando à toa por aí, pensando que estão participando da vida de muitos ao mesmo tempo, nas escolas, nas igrejas, nos clubes, nas universidades, nas empresas... muitas são as reuniões onde estar de corpo presente é tudo que as pessoas tem a dar.
Autocontrole é o remédio, gosto pela experiência atual é o motivo e os meios de administrar este desejo incessante de se conectar cada um deve estabelecer os seus, como por exemplo: estabelecer lugares e momentos para conexões, ou tirar o som dos aplicativos, para não aguçar a curiosidade a cada instante, ou, em último caso, quando assume que não tem controle sobre o próprio impulso é melhor deixar o celular em casa, se for possível, é claro.
O avanço veio na mesma velocidade que as pessoas estão se distanciando, umas das outras, de situações de contato, e, inclusive, dos próprios valores, porque quem jamais conversava para não atrapalhar uma reunião, por exemplo, hoje conversa o tempo todo com a ponta dos dedos, e o que parecia respeito não era, era apenas uma falta de alternativa silenciosa para "fugir" da reunião.
É inegável a presença importante da tecnologia no cotidiano das pessoas, dispensa comentários, mas ela é que deve existir a serviço das pessoas e não as pessoas a serviço dela.
Bom trabalho e sucesso.


Por: Raquel Barreto Garcia

 
Pesquisar