Mainardi

sexta-feira, 15 de abril de 2016 às 22:37

O golpe não passará

Deputado Estadual e Líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa

O mundo está com o olhar voltado para o Brasil neste final de semana. A crise política artificialmente insuflada pelos grandes veículos de comunicação, alimentada por interesses corporativos poderosos, estimulada por forças reacionárias oligárquicas, contando com a colaboração de setores do Judiciário, leva ao plenário da Câmara Federal o processo de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
O que estará em julgamento, por uma das mais desqualificadas representações da História parlamentar brasileira, não serão as chamadas "pedaladas fiscais", prática rotineira dos executivos, que não configuram crime de responsabilidade. Tese já desmontada por milhares de juristas e constitucionalistas, oito mil dos quais fazem circular documento em que afirmam peremptoriamente não ter havido desrespeito à ordem constitucional.
Os perdedores conspiram desde o dia da vitória de Dilma. Através de recursos à Justiça, todos eles derrotados até o presente momento. Por meio de manobras que impõem à agenda legislativa as "pautas bombas", até chegar a este esdrúxulo e sem fundamento legal pedido de impeachment. Paralisam o País, impedindo o governo de governar, em nome de uma revanche antidemocrática. Impedimento sem crime de responsabilidade é golpe.
De lambuja, buscam exterminar o partido que, com erros e acertos, promoveu uma verdadeira revolução na vida dos brasileiros. Basta não ser cego para ver as conquistas que tivemos no último período. Transformações que perderam um pouco do ritmo no último ano em função da crise internacional e de erros cometidos na condução da política econômica. O que não dá direito a ninguém querer "desapear" do cargo alguém eleito com mais de 54 milhões de votos. Na Democracia, o perdedor se recolhe e aguarda a próxima eleição para derrotar, nas urnas, o projeto contrário.
Um capítulo à parte nesta tragicomédia está reservado para Michel Temer, vice-presidente eleito, que assinou decretos de igual teor aos que hoje ensejam o pedido de impedimento da presidente. Temer merece o título de golpista maior. Trama nos bastidores, juntamente com o seu colega Eduardo Cunha, ambos envolvidos na Lava Jato, o golpe contra a sua companheira de chapa.
Superaremos o impasse. Há, ainda, deputados que pensam o futuro do Brasil, que preservam a Democracia como bem maior de uma Nação. Que estarão de cabeça erguida, no próximo domingo, declarando voto contra o golpismo promovido por velhas raposas da política nacional. Pessoas que não querem o País sendo governado por Temer e Cunha. Sabem que o que está ruim ainda pode piorar. Não haverá golpe.


Por: Luiz Fernando Mainardi

 
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