Aniversário de Hulha Negra

quinta-feira, 24 de março de 2016 às 0:00

Resumo histórico do Rio Negro a Hulha Negra

Em 1884, período imperial, chega a linha férrea na região. Assim, a construção da estação ferroviária na localidade de Rio Negro permitiu que em seu entorno se formasse uma comunidade

Xarqueada, o livro que relata aspectos da vida na Hulha Negra no final do Século XIX e início do XX - Créditos: Arquivo pessoal
Xarqueada, o livro que relata aspectos da vida na Hulha Negra no final do Século XIX e início do XXArquivo pessoal
Marco Antônio Ballejo do Canto prefeito quando novo - Créditos: Arquivo pessoalIwar Beckmann  - Créditos: Arquivo pessoalTropa Federalista - DEGOLA DO RIO NEGRO - 23 de Novembro de 1893 - Créditos: Arquivo pessoal

Resumo histórico do Rio Negro a Hulha Negra

O trem
Em 1884, período imperial, chega a linha férrea na região. Assim, a construção da estação ferroviária na localidade de Rio Negro permitiu que em seu entorno se formasse uma comunidade. Desse marco referencial tem origem o que 108 anos depois se tornaria o município de Hulha Negra. Aliás, a mudança Rio Negro para Hulha Negro só ocorreu na década de 40.

Degola do Rio Negro
O episódio histórico mais marcante ocorrido na região foi a batalha do Rio Negro, durante a revolução federalista, 1893-95, ocasião em que morreram aproximadamente 300 combatentes. A história da degola desses mortos, embora não haja comprovação, é o que mais chama atenção para o que ocorreu. Consta que dez mil combatentes, federalistas e republicanos, durante sete dias travaram uma batalha no local. A Revolução Federalista de 1893 é um dos maiores episódios da história do Brasil após a Proclamação da República. Os métodos sangrentos usados tinham o objetivo da intimidação, porém a Degola do Rio Negro, como ficou conhecida, foi uma desforra pessoal entre líderes. Conta a história que invadida a fazenda de Zeca Tavares, um dos líderes vitoriosos da batalha do Rio Negro, por Maneco Pedroso, foi deixada sobre sua cadeira uma cabeça de porco e um bilhete no qual estava escrito: Tua cabeça será minha. Esta a razão da desforra que deu margem à Degola do Rio Negro, às margens da Lagoa da Música. Esta é apenas uma versão dos supostos fatos. Texto baseado no escrito pelo ex-prefeito de Hulha Negra, Marco Antônio do Canto, na página oficial online da prefeitura do município.

Primeiros investimentos
A pecuária e as charqueadas eram as atividades econômicas preponderantes no início do século e até o final dos anos 30, tendo sido substituídas pelo frigorífico, hoje Pampeano, implantado pelo empresário José Gomes Filho, um dos maiores empreendedores empresários de Bagé em todos os tempos. O final dos anos 30 ficaram marcados pela implantação da indústria cerâmica, liderada por João e Segundo Deiro, e pela implantação da Estação Experimental, pelo governo do estado, hoje Fepagro.

Pedro Wayne
Dois livros do escritor Pedro Wayne apresentam a Hulha Negra do final do século XIX e início de XX, "Lagoa da Música" e "Xarqueadas". Mostram o perfil de uma época, do comportamento e da vida da sociedade.

O empreendedor
Foi por volta de 1915 que chegou a Hulha Negra o empresário Pedro Rabbione Sacco. Ele se estabeleceu com comércio e passou a intermediar a produção da região até a metade da década de 1940, quando faleceu. Sacco atendeu, em especial, ao comércio e à agricultura. Financiava o abastecimento das residências, os insumos para a produção durante todo ano e recebia, após a colheita, o pagamento. No livro que marca os 25 anos da colonização alemã foi considerado melhor que o Banco do Brasil para o desenvolvimento desta região por quase três décadas.

Colônia Alemã
A colonização alemã, datada de 1925, através de produtores rurais vindos de Pelotas, liderada pelo agrônomo Francisco Krensinger, introduziu nova atividade econômica, a agricultura. Escolheu a região, segundo Francisquinho Kloppenburg, "por ter terra boa, por ser perto da cidade de Bagé e, por fim, por ter estrada de ferro, que garantia o transporte da produção, que era muito importante naquela época".

Trigo
Na década de 40 foi criada a Cooperativa Tritícola Assis Brasil, que prestou serviços até a metade dos anos 80 e cuja estrutura hoje é utilizada pelo centro comercial, rodoviária e ginásio de esportes. Entre os expoentes na sua implantação estão Francisco Kloppenburg e Jaime Brasil, época esta na qual o trigo era a cultura preponderante e a pesquisa coordenada pelo pesquisador geneticista Iwar Beckmann realizada na Estação Experimental da Secretaria da Agricultura, implantada no município em 1929.

Carvão e Hulha
Alguns relatos afirmam que o carvão já era explorado no século XIX. O certo é que foi explorado até o final dos anos 40, início dos anos 50. O carvão deu ao município o nome "Hulha" e a expressão "Negra", por ser muito escuro, e é um dos potenciais existentes para exploração futura.


Passos da emancipação
Foi na metade dos anos 50 que retornou à região aquele que se tornou o idealizador e principal organizador do processo da criação do município, Hugo Canto, após mais de quinze anos fora, quando morou em Salvador e Rio de Janeiro, tendo sido expedicionário da FEB na Segunda Guerra Mundial. Hugo Canto (Hugo do Canto, que ao ser registrado, o pai, Antônio Antunes do Canto retirou o "do") era natural de Uruguaiana e chegou a Hulha Negra com a família no início dos anos 30, vindo de Hamburgo Velho (Novo Hamburgo), sendo o pai agente da Viação Férrea. Integrou-se rapidamente à comunidade, fossem brasileiros ou descendentes de alemães, pois em Hamburgo Velho havia estudado no Colégio São Jacó e falava, ao chegar no município, o idioma português e, com alguma fluência, o alemão.
Os anos 60 marcaram o início da luta pela emancipação de forma organizada, a implantação da Cooperativa de Eletrificação Rural Rio Negro, posteriormente fundida à Cooperativa de Eletrificação Rural Colônia Nova, dando origem à COOPERSUL, já na década de 70, e a implantação da primeira escola de primeiro grau completo, o Ginásio Comercial Rio Negro, em 1968, através da Campanha Nacional dos Educandários Gratuitos, depois Campanha Nacional das Escolas da Comunidade. Destacaram-se nestes dois últimos episódios, respectivamente, Francisco Kloppenburg e Bruno Petry. Em 1961 foi fundada a Escola Monteiro Lobato, então escola estadual, que teve como primeira professora/diretora Dila Vieira Ramos. Como educadores nos anos 70, Elga Clara Langer Freimuller e João Silva, entre outros.
No final dos anos 50, anos 60 e 70, o ensino voltado para o setor da agropecuária tinha no município como propulsor o Centro de Treinamento de Mecanização da Lavoura, onde atualmente está o Assentamento Santo Antônio.

Nova Esperança
O final dos anos 70 marcou o início do processo de assentamento de colonos, até então sem terra, no Assentamento Colônia Nova Esperança, o primeiro realizado no Rio Grande do Sul, durante os anos da ditadura militar. Hoje não é mais assentamento, pois os colonos ganharam a posse da terra em 1992.

Assentamentos
No final dos anos 80 reiniciou o processo de colonização da região onde ainda existiam alguns latifúndios e o processo emancipatório.
Na instalação do município, em 1993, havia dois acampamentos de colonos sem terra. Um em áreas da EMBRAPA e outro junto a BR próximo ao trevo de acesso à sede do município. No final da primeira administração do município de Hulha Negra, segundo dados oficiais do INCRA, havia no município 235 famílias assentadas e não mais acampamentos de sem terra. No final de 2004, havia 870 famílias assentadas e 23 assentamentos.

Área e população
Sem identidade histórico-cultural e muito mais próxima da sede de Candiota que de Hulha Negra, em 1994 iniciou um movimento no Jaguarão Grande com o objetivo de passar para o município de Candiota a região. Após processo de anexação na Assembleia Legislativa, Jaguarão Grande passou para Candiota. A anexação se deu a partir de maio de 1996.  A área do município diminuiu de 1.181,36 Km² para 835, 52 Km², segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, setor de cartografia. A população oficial que era, em 1992, 7.351 habitantes, certamente superavaliada, passou para 6.012 habitantes em 2007/IBGE.
População estimada em 2015: 6.478.

Em 1º de janeiro de 1993 foi instalado o município de Hulha Negra,
com a posse do prefeito, vice e dos vereadores.
A partir daí começa a construção de uma outra história.

Esta é uma parte da história, embora com alguns cortes pela editoria deste caderno, é 99% de autoria de Marco Antônio do Canto, segundo ele próprio "construída a partir da iniciativa de alguns, porém, com o apoio dos Ritta, Cavalheiro, Feijó, Amaro, Coelho, Loguercio, Medeiros, Fernandes, Canto, Veiga, Costa, Scoto, Alves, Porto, Malaguês, Santos, Silva, Brasil, Baumbach, Mielke, Hartwig, Macke, Hoesel, Schneider, Hamm, Langer, Fürich, Martins, e tantos outros não citados, sem os quais não se teria construído esta história. Não tive a intenção de ocupar o espaço dos historiadores que um dia haverão de narrar os episódios da nossa história".


Por: Jornal Minuano

 
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