Aniversário de Candiota

quinta-feira, 24 de março de 2016 às 0:00

Candiota do passado e do futuro

O município de Candiota tem área geográfica de mais de 900 km² e população de 10 mil habitantes, sendo que este número deve crescer consideravelmente nos próximos anos, em função dos empreendimentos que a cidade está recebendo.

Pórtico - Créditos: Divulgação
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Centro Cultural Candiota I  - Créditos: Arquivo pessoalFoto aérea de Candiota - Créditos: Arquivo pessoalEstação Ferroviária de Candiota - Créditos: Arquivo pessoalCentro Cultural Candiota I  - Créditos: Arquivo pessoalUsina de Candiota - Créditos: Arquivo pessoalNos anos 40 tudo acontecia na Vila de Seival - Créditos: Arquivo pessoalGodofredo Nascimento Cáppua - Créditos: Arquivo pessoal

Candiota do passado e do futuro

O município de Candiota tem área geográfica de mais de 900 km² e população de 10 mil habitantes, sendo que este número deve crescer consideravelmente nos próximos anos, em função dos empreendimentos que a cidade está recebendo.
O nome, segundo informações não oficiais, origina do século XVIII, quando foi para Argentina um grupo de gregos originários da Ilha de Cândia, também conhecida por Creta, que eram conhecidos por Candiotos. Dois desses gregos estiveram nas terras do município e colocaram o nome do rio de Arroio Candiota, e assim foi batizada a localidade. A cidade é histórica por ter sediado a Batalha do Seival e a Proclamação da República Rio-grandense.
A concretização do processo de emancipação de Candiota do município de Bagé se deu no dia 24 de março de 1992, quando um grupo de pessoas da comunidade reuniu-se pela causa e organizou um plebiscito popular.
Uma das peculiaridades de Candiota é a divisão geográfica, já que os bairros não fazem fronteira, sendo isolados. Na área urbana existem as localidades da Vila Operária, São Simão, João Emílio, Seival, Dario Lassance (sede do município) e Vila Residencial, além de 36 assentamentos no interior. Candiota possui ainda cerca de 30 igrejas, cinco clubes de mães, cinco associações de moradores e um balneário.
Economicamente, o município tem como base a extração de carvão e geração de energia, através das empresas CRM e CGTEE respectivamente. Em breve, mais uma termoelétrica estará em atividade no município, trata-se da UTE Pampa Sul.  Entretanto, há outras potencialidades, além das carboníferas. O município está se tornando referência vitivinícola, ao lado de investimentos na bacia leiteira e também na cerâmica.

A história e o cidadão histórico

Há alguns anos, em depoimento histórico, Godofredo Nascimento Cáppua, que faleceu no último 20 de janeiro, aos 77 anos, e foi presidente da Câmara Municipal de Vereadores e delegado do Sindicato dos Eletricitários por 30 anos, declarou que nos anos 1940 Candiota era só campo, minas de carvão escavadas a picareta. Ele também destacou que a capital da região se localizava em Seival.
"Seival era um mundo à parte, tinha açougue, mercado, hotel, farmácia, posto de combustível, atendimento médico, clube social, times de vôlei, basquete e futebol, linha de ônibus Bagé-Pelotas e Viação Férrea. Tudo era em Seival, ali íamos para nos divertir, o resto só campo", contou.
Segundo Godofredo Cáppua, a CEEE foi fundamental para que o município passasse a existir. "A CEEE construiu as vilas Operária e Residencial. Ofertava casas para os funcionários morar com suas famílias. Se não fosse a CEEE não teria a Companhia Rio-grandense de Mineração, não teria várias outras empresas como a Cimpor e a MAC, que deu origem a Entel. Ou seja, não teria município", testemunhou o homem que viveu Candiota como poucos, em depoimento à revista Pampa Magazine, editado pela De Marka Comunicação, em 2012.

1953
A origem da Companhia Estadual de Energia Elétrica, citada com orgulho por Godofredo Cáppua no texto acima, recebeu um registro significativo em outubro de 1953, no extinto Jornal Correio do Sul. O artigo, assinado por Nei Fagundes Soares, intitulado Bagé Vencedora!, aborda a assinatura do contrato da Usina de Candiota, enaltecendo o município e prospectando o desenvolvimento que adviria do empreendimento. O artigo destacava o seguinte:
Felizmente os sonhos alimentados no âmago dos bajeenses aos poucos vão se transformando em realidade. Sonhos que há muito vêm sendo acalentados por todos os que nasceram nesta bendita cidade (...). E se algo conseguimos foi graças ao dinamismo de uns e esforços de outros, que lutando tenazmente tudo procuraram fazer no sentido de que as aspirações do povo (...) tivessem a merecida concretização.
Lutando contra a maledicência de uns e descaso de outros, por vezes criticados e debatidos nossos desejos, acoroçoados pela justeza do que desejávamos, terminamos por mostrar aqueles que "mandaram" contra que também somos brasileiros e a nossa Bagé faz parte do mapa do Brasil.
E foi empunhando a flâmula desse ideal que conseguimos ver, enfim, assinado o contrato da Usina de Candiota, muito embora isso tenha levado um tempo precioso, com o que, no entanto, a burocracia dos governantes do nosso país, não conseguiu fazer ruir por terra esse anseio que os bajeenses defenderam até ao último.
Agora, uma vez vencida essa etapa, estamos certos de que batalhando sempre com o mesmo impulso que nos arremessou aos primeiros arroubos, conseguiremos ver ultimada a realização da Usina de Candiota. (...)

Luta árdua
O interessante nesses relatos é que podem elucidar aos cidadãos e autoridades de Candiota e da região a batalha travada no passado para a instalação da usina. Havia um potencial energético neste solo. O governo federal recebeu a informação ainda nos anos 30, já com uma solicitação de empreendimento no município de Bagé. Em 1940, com a crescente carência de energia, porque novas indústrias se instalavam no centro urbano, e o que havia mal podia sustentar as lâmpadas das residências, constituiu-se, na comunidade, uma melhor organização para reivindicar a usina, que culminou com a assinatura do contrato.
Em maio de 1960, Candiota estava com 95% da central construída e com os equipamentos mecânicos elétricos da mina montados no local da exploração do carvão aguardando a chegada das linhas de transmissão e respectivas subestações. O engenheiro Ari Lannes Macedo, em artigo no Correio do Sul, dizia que esta defasagem de seis anos entre as obras da Central e demais serviços em Candiota - e das linhas de transmissão e subestações - é uma das principais causas da paralisação dos serviços do município e a sua não utilização por esta região.

Candiota I
Em julho de 1961, o engenheiro volta a relatar os acontecimentos, após uma parada de treze meses. O governo do estado do Rio Grande do Sul, que não havia construído as linhas de transmissão entre Bagé e Rio Grande, tomou para si a responsabilidade de terminar a obra de Candiota. O deputado Fernando Ferrari envia um relatório ao presidente da República, Jânio Quadros, solicitando um grupo de trabalho, sindicância ou comissão de inquérito para examinar as obras, gastos e protelações inaceitáveis na conclusão da Usina de Candiota. Isto foi feito porque a divulgação dos órgãos do Estado era de que a obra estava parada porque a União não entregara o dinheiro prometido.   
No entanto, a inauguração ocorre nesse ano de 1961, sendo a primeira usina desse complexo, a Candiota I.


Por: Jornal Minuano

 
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