Mainardi

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015 às 0:00

Chame o Batman

A percepção da população gaúcha, de insatisfação com o funcionamento da segurança pública no Rio Grande do Sul, confirmada em recente pesquisa publicada por jornal da capital, evidencia o que todos nós estamos vendo diariamente nas emissoras de rádio e de TV, assim como nos jornais impressos e nas redes sociais. Está em curso uma política efetiva de desmonte do Estado em nome do déficit zero, que apresenta uma de suas faces mais cruéis o recrudescimento da violência motivado pelo desaparelhamento dos serviços de segurança.
De acordo com as estatísticas do próprio governo, os roubos, nos primeiros 11 meses do ano, comparado com o mesmo período do ano anterior, cresceram 26,3%, com destaque para o roubo de veículos que registrou um aumento de 30,4%. Também houve incremento dos casos de homicídios, especialmente dos feminicídios e diversos outros tipos de violência contra a cidadania.
O crime organizado, ao que parece, aumenta o grau de organização em nosso Estado. Organizações criminosas, que agem do interior do sistema prisional, comandam os assaltos a agências bancárias que, via de regra, acontecem em pequenas cidades que não dispõem de policiamento ostensivo e são atendidas por equipes da Brigada Militar de outros municípios da região. Ônibus e lotações são queimados na capital do dos gaúchos.
O déficit de pessoal na BM é superior a 16 mil policiais. No governo anterior, nomeamos pouco mais de quatro mil. A metade destas nomeações foram suspensas por Sartori. Também na Policia Civil houve o congelamento de 650 nomeações e, no Corpo de Bombeiros, de outras 640. Hoje, os órgãos de segurança convivem com o maior déficit de pessoal de toda a sua História.
Além disso, Sartori executou apenas 20% dos R$ 248 milhões orçados para investimentos na segurança pública. Cortou 31% dos recursos destinados ao custeio, reduziu diárias e impôs contingenciamento no consumo de combustível. Também fechou plantões em delegacias e reduziu o policiamento ostensivo nas ruas. Não é à toa que cerca de 82% dos gaúchos desaprovam a política de segurança praticada pelo governador Sartori.
Ao contrário do que todos desejaríamos, o cenário para o novo ano apresenta perspectivas de que, assim como em outros setores, na segurança a precarização também continuará avançando. O governo quer congelar os salários dos servidores, modificar o tempo de aposentadoria dos brigadianos e não cumprir Lei criada por Tarso Genro, aprovada por unanimidade na Assembleia, que estabelece uma política salarial de médio prazo para as carreiras da segurança pública. Ingredientes que podem convulsionar, ainda mais, este sensível setor dos serviços públicos.
E tudo isso em nome de um programa que projeta o Estado como se fosse uma empresa privada, onde a ordem maior é o lucro. No comando do governo, a maior preocupação deve ser com o bem estar social. E não é o que vemos aqui. Quem mais sofre, como sempre, são os mais pobres, que necessitam, como ninguém da proteção do Poder Público. Mas, isso, parece não interessar tanto.
Chamemos o Batman (como recomendou um oficial da BM), ou encerremo-nos em nossas residências. A situação tende a piorar.


Por: Luiz Fernando Mainardi

 
Pesquisar