Mainardi

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015 às 0:00

Não ao golpe!

A nossa jovem democracia que, pela primeira vez na História do País, completa cinco mandatos presidenciais seguidos sem interrupções golpistas, sofre a sua pior ameaça. Sem nenhum embasamento legal que o justifique, a tentativa de golpe, travestida de impeachment, vem sendo urdida há bastante tempo, ganhando força logo após a divulgação do resultado eleitoral que reconduziu a presidente Dilma Roussef para o segundo mandato, respaldada pela maioria do povo brasileiro que foi às urnas e, de forma democrática, livre e soberana, disse sim à continuidade do projeto petista iniciado por Lula em 2003.
Novamente as forças representativas do reacionarismo brasileiro que, em outras épocas, derrubaram Getúlio e Jango, se articulam para, com o apoio dos grandes grupos de comunicação, derrubar um governo legitimamente eleito. Paga o governo do PT muito mais por seus acertos do que por seus erros. Na verdade, acredito que apesar de estar focado na Dilma, este movimento quer muito mais do que derrubar um projeto que vem promovendo grandes transformações no País e bem mais do que impedir a candidatura de Lula em 2018. Ele quer, mesmo, é dizimar o PT, partido que vem construindo universidades, escolas técnicas, casas, melhorando a infraestrutura do País, gerando milhões de empregos, promovendo a inclusão social com visível melhoria na qualidade de vida de milhões de brasileiros e brasileiras.
Felizmente, parece que a "vingança" do Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal, vai "dar com os burros na água". De Norte a Sul, de Leste a Oeste, no Brasil e no Exterior, vozes sensatas denunciam a tentativa de golpe. Forças políticas da esquerda, do centro e até da direita afirmam que o governo Dilma não cometeu nenhuma ilegalidade que justifique o prosseguimento do impeachment. Entidades como CNBB, CUT, OAB e tantas outras se posicionam contrárias ao ato autorizado pelo deputado Cunha que, se depender da Procuradoria Geral da República, poderá pegar 150 anos de prisão pelos "maus feitos" que vem cometendo ao longo de sua vida pública.
Na verdade, quem está à favor do golpe são os mesmos que não se conformam com a derrota nas eleições e que, desde a proclamação do resultado, já fizeram diversas tentativas de "apear" Dilma do poder. Constituem uma minoria - ainda bem - que não lidam bem com a democracia. Um presidente da República que não tenha transgredido nenhuma normal constitucional, não pode ter seu mandato cassado, a não ser pelos eleitores, na próxima eleição. Este é a essência da Democracia.
Mas, não, estes querem chegar ao Poder à qualquer preço, nem que para tanto sejam praticados atos que agravam o momento delicado que vive nossa economia a partir do agravamento da crise política. Eles não se preocupam que todo este desmedido tensionamento possa estar causando a demissão de trabalhadores, a redução de investimentos público e privados, fazendo o País retroceder. Não importa se Dilma, como de fato não fez, não roubou, não desviou, não ameaçou, porque é uma pessoa séria, honesta e comprometida com o exercício ético do Poder. Dilma tem outros defeitos, alguns deles responsáveis, em parte, pelo momento que vivemos. Mas, com certeza, não é ladra e nem corrupta.
Cabe a nós, petistas, defender a democracia, lutar contra o golpe e, mais do que isso, dialogar com o governo, de forma mais propositiva e protagonista, para mudanças urgentes na política econômica. Para que se combata a crise, que é mundial e não é só nossa, com desenvolvimento, com crescimento e geração de emprego, distribuição de renda e inclusão social.


Por: Luiz Fernando Mainardi

 
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