Mainardi

segunda-feira, 23 de novembro de 2015 às 0:00

Os bons ventos nos trazem boas energias

Não fossem os atentados praticados pelo Estado Islâmico, teríamos participado, na semana que passou, em Paris, da EWEA 2015, a maior feira mundial de energia eólica. Os estados brasileiros teriam um espaço privilegiado para mostrar aos mais de 60 países presentes as suas potencialidades, visando atrair novos investimentos. Era o que nos movia. A delegação brasileira, organizada pela Associação Brasileira de Energia Eólica e pela Apex Brasil, da qual participaríamos juntamente com outro integrante da Frente Parlamentar de Energia Eólica, o deputado Frederico Antunes, cancelou sua participação. Já que ficamos impossibilitados de "vender o peixe" do Rio Grande do Sul, não seremos impedidos de fazer do assunto o tema de nosso artigo semanal no Jornal MINUANO.
O aproveitamento da força dos ventos que sopram em abundância em várias regiões do País, especialmente no nordeste e no sul, para transformar em energia é uma tecnologia recente. Pesquisada intensamente desde a segunda grande crise do petróleo, no início da década de 70, na Europa (Dinamarca e Alemanha, fundamentalmente), começou a receber investimentos pesados nos anos 90. No Brasil, 15 anos depois, começou a merecer a atenção do governo que, em 2004, lançou o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, o que elevou o País a um novo patamar no cenário mundial. A tal ponto que hoje é uma das fontes geradoras de energia que mais atrai investimentos, nacionais e internacionais.
Segundo os últimos dados do Ranking Mundial de Energia e Socioeconomia (anos 2012/13/14), publicação anual da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético (SPE) do Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil, com geração de 12,2 terawatt/hora (TWh) de energia eólica em 2014, ocupa a 10ª posição no ranking mundial de geração da fonte, atrás de Portugal, Suécia e outros países. O ranking de 2014 eleva o país em cinco posições em comparação ao ano de 2013, quando o Brasil estava na 15ª posição. O forte aumento na geração de 2015 deverá levar o Brasil à 7ª posição no ranking. Os. Ao final de 2014, o Brasil ocupava o 3º lugar no ranking de expansão de geração eólica, com 5,6 TWh de expansão, perdendo apenas para a China (17,2 TWh de expansão) e para os Estados Unidos (14,1 TWh de expansão), e na frente da Alemanha (4,3 TWh) e Índia (3,6 TWh).
Aqui no Estado, o governo Tarso Genro contribuiu para colocar a energia eólica num lugar de relevo do desenvolvimento econômico e social, quando incluiu a cadeia produtiva na política industrial do Estado e criou o Programa Gaúcho de Estruturação, Investimentos e Pesquisa em Energia Eólica. Atualmente, temos 15 parques eólicos em funcionamento e 70 em fase de projeto ou de execução. Nossa região tem um futuro promissor nesta área. Além dos três pequenos parques projetados para Bagé, que devem disputar o próximo leilão de energia, temos o projeto Serra dos Ventos, centralizado no município de Hulha Negra, com extensões em Bagé e Candiota, em fase de elaboração. Há potencial, ainda, em Aceguá. São mais empregos, mais renda e mais impostos circulando em nossa região, ajudando a diversificar a nossa matriz produtiva.
Por entender a importância de estimularmos a geração de energia através de fontes renováveis, apresentei projeto na Assembleia Legislativa estabelecendo a adoção de Relatório Ambiental Simplificado para o licenciamento de empreendimentos geradores de energia com aquela tecnologia. Diminuir a burocracia para agilizar os investimentos.
Espero, com isso, colaborar para agilizar os investimentos que dinamizam nossa economia com a instalação dos parques eólicos, que atraem investimentos de empresas fabricantes de máquinas e equipamentos, além de abrir campo de trabalho para prestadores de serviços especializados.


Por: Luiz Fernando Mainardi

 
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