Melhor Idade

quinta-feira, 19 de novembro de 2015 às 0:00

Música para a alma, o coração e a alegria de viver

Nesta edição, reportagem especial sobre a influência do grupo Pianistas de Bagé na vida de cinco artistas, nem todos com idade acima dos 60

Euda e Beth Infanti  - Créditos: Arquivo Pessoal
Euda e Beth Infanti Arquivo Pessoal
Euda e Beth Infanti ç - Créditos: Arquivo PessoalEuda e Beth Infanti  - Créditos: Arquivo PessoalBETH INFANTINI E EUDA SARAIVA - Créditos: Eliana Vaz HuberWagner Brasil - Créditos: Arquivo PessoalPianistas - Créditos: Arquivo PessoalMarcelo Brum - Créditos: Arquivo PessoalGladys Wolf Sune - Créditos: Arquivo PessoalPianistas - Créditos: Arquivo PessoalEuda Saraiva - Créditos: Arquivo PessoalBeth Infanti - Créditos: Arquivo Pessoal

A música que encanta a vida

No final da última semana, a cidade assistiu na Sociedade Espanhola o espetáculo musical Noite Brasileira com o grupo Pianistas de Bagé, idealizado pela professora Gelcy Porto Médici ainda nos anos 60. Hoje, ela está com 87 anos. Na apresentação de estreia, sexta-feira, dia 13, a reportagem do Jornal MINUANO esteve presente para conversar com alguns pianistas, entender um pouco sobre a mágica influência da música na vida das pessoas e trazer aos leitores um pouco da vivacidade, por exemplo, da professora de piano Euda Saraiva, a mais experiente do grupo, com 86 anos. Também Elisabeth Infantini, 64, formada em música há 40 anos, que volta a tocar piano como um desafio de vida e falou ao Caderno Melhor Idade. A reportagem destaca, ainda, Wagner Brasil, Gladys Wolf Suñe e o jovem Marcelo Brum, de São Paulo para
Bagé, que veio viver uma interação única com artistas de variados estilos, idades e experiência. Trazer um pouco dos Pianistas de Bagé para as páginas deste caderno é um orgulho aos seus jornalistas e um presente ao leitor do MINUANO.

Estudante de piano desde os oito anos, Euda Saraiva, 86, formou-se no ano de 1948. Foi aluna de Meri Torrescasana, Maria Collares e Rita Jobim Vasconcellos. Para ela, a música é tudo na vida. Diz que se algum dia não está muito bem
de humor ou se alguma situação da vida a entristece é no piano que melhora, com o auxílio das orações e força de vontade. "Vivo o dia de hoje, o que passou, passou" afirma.
Ser a mais experiente do grupo Pianistas de Bage, é motivo de orgulho para Euda. Há três anos participa do encontro de artistas que resulta no espetáculo anual dos pianistas. Mas, é nesta edição de 2015 que ela esteve mais feliz, pois tocou mais músicas e em especial, em um dos números, ao lado do professor Renato Paim. "Para mim é inexplicável!", confessa.

"Sou muito faceira com minha idade"

Euda surpreende amigos, parentes e conhecidos quando conta que há um ano resolveu que aprenderia bateria e já está tendo aulas. Esta vontade de se alegrar, de se sentir feliz, ela acredita que vem de sua cabeça jovem, além de sempre querer estar junto a eles, os jovens. A artista é viúva, tem três filhos, 10 netos e seis bisnetos. "Sou muito faceira com a minha idade. São 86 anos bem vividos com felicidade das amizades todas que eu tenho", ressalta.

Começar de novo

Maria Elisabeth de Vargas Infantini, 64 anos, é formada em música pela Fundação Atilla Taborda,Urcamp. Na sua concepção, a música é uma das melhores maneiras de descontração, lazer produtivo e benéfico para o interior das pessoas e, com certeza, para a saúde física e mental.
Foi na adolescência, precisamente aos 16 anos, que começou a se dedicar à música. Sua iniciação no Conservatório (Imba) foi nas aulas de piano. Porém, segundo conta, por muitos anos esteve afastada do instrumento e que, hoje, retornando ao piano, se sente desafiada. "Esse retorno ao piano é motivo de muitas alegrias para mim, pois tem me dado um impulso imenso em nível de vida", exterioriza a professora. Afinal, são 40 anos desde a formação.

"Propus me desafiar ao voltar a tocar piano"

Para Beth Infantini nunca é tarde para se resolverem questões que não ficaram bem definidas, sejam na infância ou na adolescência. "A música sempre fez parte da minha vida, então, agora me propus a me desafiar ao voltar a tocar piano."
Beth conta ainda que acredita que sem a música não conseguiria viver. Recorda que já passaram sob as suas aulas inúmeros alunos e isto também é motivo de orgulho. "Tenho alunos que estão fora de Bagé e fazem carreira. E isto é motivo de muita felicidade", confessa. A professora ainda alerta para que as pessoas não se deixem vencer pela vergonha, porque o conservatório está de portas abertas esperando a todos que tenham vontade de cantar ou de aprender a tocar algum instrumento. "Esperamos todos que tenham vontade de fazer da arte, da música, da dança um dos seus objetivos de vida", diz Beth Infantini. Atualmente, ela trabalha no Instituto Municipal de Belas Artes, Imba, que chama carinhosamente de conservatório, e na 13ª Coordenadoria de Educação de Bagé, onde atua na Assessoria de Música atendendo a rede estadual. A música é motivo de muitas conquistas na vida de Beth e para comprovar cita que já trabalhou inclusive com a musicoterapia no Caminho da Luz. Além de preparar jovens para concursos nativistas que geralmente retornam com a premiação do primeiro lugar. E confessa que isso a mantém em atividade.

A professora e pianista se diz grata a Deus por seguir em sua carreira, podendo ajudar a todos aqueles que gostam do canto, querem educar sua voz e se dedicar a esta área ou ainda entrar na universidade. "Sou muito feliz por saber que estou direcionando jovens para seguir a carreira, que não encaram apenas como uma fase na vida, mas sim como profissão. E eu tenho contribuído muito pra isso", enfatiza.

Alegria e vivacidade

Wagner Brasil é um destacado engenheiro civil, que trabalha com arquitetura na Capital Gaúcha e na Serra, mais precisamente em Canela. Sobre a sua idade, se restringe a afirmar que tem mais de 60, e que entrou no Imba, a Escola de Belas Artes, aos cinco anos de idade e parou de estudar aos 18 porque teve de ir para Santa Maria estudar no Centro de Tecnologia. O pianista de Bagé recorda o privilégio de ter sido aluno de Gelcy Porto Médici. "Era uma época que apenas meninas se dedicavam até o final do curso. E com isso fui sempre muito protegido e guiado por Gelcy, conseguindo ir até o penúltimo ano de aprendizagem", enaltece. Hoje, se considera parte do grupo de pessoas que, mesmo tendo outra atividade e morando longe, por amor ao piano e a música e ter pertencido a este grupo no seu nascedouro, que na época se chamava Carlos Gomes, foi convidado a retornar pela coordenadora do encontro, Lúcia Antônia de Mello.

Para Wagner Brasil aceitar este convite é desafiador porque acredita que retornem todas as energias da formação de jovem para esta fase de vida atual. "Tocar em grupo é uma responsabilidade com o outro. Mas há uma pureza musical
forte e um erro individual estraga o conjunto todo", pondera. Diz ainda que percebe sua vocação com a música mesmo não tocando profissionalmente. Para o engenheiro, que há pouco esteve no México e identificou a Casa de Frida Kahlo, a revolucionária pintora mexicana, com a casa de Gelcy Médici em Bagé, é com muita dificuldade, embora com prazer, que consegue estar no mundo das artes. "Isto me rouba a alegria de tocar piano.

É complicado porque me dividido entre Porto Alegre e Canela (para a arquitetura)." No entanto, a persistência e disciplina na arte que aprendeu com sua professora tem levado para a vida e cita com orgulho.

"Me sinto um jovem de  anos, idade que toquei pela primeira vez"

Para o arquiteto uma das belezas que Bagé oferece para o mundo é este conjunto de pianistas que é único no País e provavelmente no mundo todo. "O lado mais exótico que Bagé tem hoje é isto. E esse exotismo e responsabilidade me fazem ter alegria e vivacidade. Me sinto um jovem de 14 anos novamente, idade esta que toquei pela primeira vez. Se eu não me olhar no espelho me sinto esse jovem, lindo, interessante, simpático, porque tenho 14 anos quando estou sozinho", confessa encantado. E finaliza enfatizando que este momento proporciona um profundo encontro dele com ele mesmo.

Experiência fantástica

Ao pretender captar o bem viver das pessoas acima de 60 anos de idade, o Caderno Melhor Idade resolveu compreender o adulto jovem inserido nesse meio. Assim, Marcelo Brum, pianista de Bagé, 35 anos, que reside em São Paulo conta que vive com "os pianistas" uma experiência fantástica, já que o grande estímulo que teve quando pequeno para se dedicar ao piano foi quando conheceu o trabalho do grupo. Ele destaca essa troca de experiência que vive com seus antigos professores e os da sua mãe a também pianista, Marilu Brum. "Essa característica de reunir essa gama enorme de idades é fantástica", enfatiza.
O músico fala que na sociedade atual não é possível dimensionar a importância da música, principalmente para o desenvolvimento cognitivo e emocional. "É preciso que seja dada maior atenção porque é muito maior do que se pensa. E isto eu tenho certeza", alerta.

Sentir melhor

Gladys Wolf Sune, 76 anos, é professora de piano do Imba e aprecia este instrumento desde os seus sete anos de idade. Segundo afirma, a música traz encanto para qualquer idade e ocasião,além de paz e felicidade. Diz ainda que, assim como o que acontece com a idade, na mesma proporção é possível cada vez mais sentir melhor a música nesses quase 70 anos de inserção no mundo musical.


Por: Rosane Coutinho

 
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