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quinta-feira, 29 de outubro de 2015 às 1:37

Os revolucionários dos anos 50 e 60

O século XX foi o século da revolução das mulheres, já o século XXI será o da revolução dos velhos. É o que defende a antropóloga Mirian Goldenberg, autora do livro A Bela Velhice, em que contesta mitos do envelhecimento

Chico Buarque - Créditos: Reprodução
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Os revolucionários dos anos 50 e 60

O século XX foi o século da revolução das mulheres, já o século XXI será o da revolução dos velhos. É o que defende a antropóloga Mirian Goldenberg, autora do livro A Bela Velhice, em que contesta mitos do envelhecimento. De fato, muitas mudanças já aconteceram e, de acordo com a autora, outras estão por vir. "Os velhos estão se valorizando muito mais e impondo mais respeito. Não são mais invisíveis. Estão ocupando todos os espaços, inclusive espaços em que não estavam presentes antes, como universidades, lazer e vida cultural. Os velhos não ficam mais parados, escondidos, isolados. Com saúde e dinheiro, eles podem e querem estar em todos os lugares. É isso que esses velhos, que viveram a juventude nos anos revolucionários das décadas de 1950, 60 e 70 estão mostrando", disse.
Um exemplo é que, há 40 anos, uma pessoa de 50 anos era considerada um velho, mulheres usavam coque e homens se vestiam formalmente e eram respeitados por serem velhos. Atualmente, "jovens idosos" de 70 anos demonstram plenos sinais de juventude. "Hoje é difícil classificar uma pessoa pela sua idade: somos 'ageless', sem idade, inclassificáveis. Temos pessoas de mais de 60 anos que têm muito mais energia, projetos e tesão do que jovens de 20 e poucos anos",
defende.

"Em 2025, o Brasil se tornará o sexto país do mundo com maior número de pessoas idosas. Serão 32 milhões de brasileiros nessa faixa etária."

 

Burlando o estereótipo
A imagem do velho sentado na cadeira de balanço caiu de vez, seja nas grandes cidades, nas telenovelas ou na publicidade. De acordo com o professor da Universidade Metodista de São Paulo, Marco Antônio Cirillo, houve uma mudança muito grande sobre a forma como se retrata o velho na publicidade. "Há vinte anos, podíamos notar o idoso sendo retratado como um coitadinho da sociedade. Hoje o vemos ou como velho garotão, ou como quem toma conta da família, ou ainda como alguém ligado à tecnologia", diz. Ele analisou, em 2012, a imagem do idoso nos anúncios das revistas. "Esta evolução está ligada a uma questão financeira. Hoje, o idoso tem poder aquisitivo. Marcas de carro e
agências de turismo fazem produtos e pacotes específicos para idosos. Mas não é uma evolução apenas dos idosos, é uma evolução da classe média mesmo", disse. Há uma questão matemática-mercadológica nisto tudo. Com o aumento da expectativa de vida no Brasil, a velhice, que tecnicamente começa aos 60 anos, pode ser considerada a fase mais longa da vida se comparada à infância, adolescência, vida adulta e meia idade.
Além disso, dentro de 11 anos, em 2025, o Brasil se tornará o sexto País do mundo com maior número de pessoas idosas. Segundo cálculos da Organização Mundial da Saúde, serão 32 milhões de brasileiros nessa faixa etária.
No entanto, os estereótipos negativos sobre a velhice ainda persistem. No Brasil, diferente de países como Japão e Índia, não há muito a perspectiva de que o idoso vá passar experiência.
No próprio ambiente de trabalho ele não é visto como um tutor. Isto porque a nossa sociedade valoriza cada vez
mais o conhecimento rápido, a tecnologia e a habilidade de aprender várias coisas, sem aprofundar. Estudos confirmam que ainda é muito difícil ser velho no Brasil, mesmo com os avanços. Os conceitos negativos são muito fortes. Se for levado em conta o distanciamento dos adolescentes, é difícil prever o quanto de
avanços haverá no futuro. Os futuros velhos não fazem a menor ideia do que é ser velho.
Embora os revolucionários da década de 60 continuem quebrando estigmas, eles são valorizados por burlarem
o estereótipo de velho. As pessoas os enxergam como gente que não envelhece. O país terá realmente avançado
quando olhar com essa mesma admiração aos "velhos convencionais", aqueles que adoecem, precisam de cuidado e que têm muita história rica para contar.

Fonte: Saúde IG/De incapaz a coroa conservado


Por: Gladimir Aguzzi

 
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