Mainardi

segunda-feira, 26 de outubro de 2015 às 0:00

Só colhe quem planta

A semana que se inicia marca um ano da eleição do governador José Ivo Sartori. Período mais do que suficiente para que o governo apresentasse à sociedade gaúcha um projeto de governo mais claro e para que imprimisse à administração pública o seu ritmo. Infelizmente, não vimos nada disso.
Depois de um início em que decretou calote aos prestadores de serviços e cortes no custeio de serviços como a segurança pública, além de promover o aumento de impostos, o que vemos é um estado paralisado, com diminuição dos serviços públicos e cortes de programas que vinham contribuindo para o desenvolvimento do Estado. Tudo em nome da "economia" e pela redução de despesas. Só faz aumentar o déficit social.
Quadro que deverá se aprofundar no próximo ano, segundo o que está previsto nas leis orçamentárias já aprovadas ou em tramitação na Assembleia Legislativa. Situação que, de forma muito limitada, estamos tentando mudar através de debates com as comunidades nas audiências públicas promovidas pela Comissão de Finanças e Orçamento em nove regiões do Estado. Objetivo que nos leva a Bagé nesta segunda-feira. Estaremos, a partir das 14h30min, na Câmara de Vereadores, recolhendo das representações regionais demandas que, transformadas em emendas ao Orçamento do Estado, possam atender as principais necessidades para o desenvolvimento regional.
O governador do Estado tem centrado o seu discurso no retrovisor e na semente. Retrovisor para "chorar" a situação herdada e a semente que simbolizaria o plantio dos frutos que desejaria ver o Estado colhendo para além de sua gestão, já que não estaria preocupado com os reflexos no presente das poucas ações que adotou desde a posse. Todas elas, na prática, com repercussões agora, no seu governo, como o aumento do ICMS, que terá vigência de três anos, redução de investimentos públicos e do custeio da máquina estatal, produzindo a diminuição e a qualidade dos serviços em áreas essenciais como a saúde, a segurança e o fomento econômico.
A frustração da "safra" de Sartori deve-se muito menos às condições climáticas adversas e muitos mais às opções políticas e administrativas que têm caracterizado a desastrada gestão até aqui. Não é por acaso que o índice de rejeição ao atual governador alcança patamares só comparáveis ao governo de Yeda Crucius, do qual os gaúchos não têm boas lembranças. Consequência direta do caos que verificamos em áreas como a segurança pública, a saúde e a educação.
Não podemos apostar numa boa safra - e agora sem usar figuras de linguagem - se as próprias ações nas duas secretarias que envolvem agricultura foram afetadas com cortes de investimentos, fim de programas e demissões. E se a execução orçamentária dos primeiros 2/3 do primeiro ano do governo mal passam de um 1/3 do total orçado.  Impossível.
A Emater, empresa de assistência técnica e extensão rural, tem sido um dos alvos preferidos da política de desmonte implantada pelo atual governo. A redução da empresa está em processo acelerado e mais de 300 mil agricultores familiares, que há décadas são assistidos na busca de mais quantidade e qualidade no que produzem, agora, vivem com o espectro do abandono rondando suas propriedades.
A permanecer com ações tímidas e ineficientes, em todas as áreas, e com olhar fixo na gestão anterior, que apresentou índices e uma atuação política mais eficiente e promissora, o governo Sartori não precisará anunciar como será o Natal e o Ano Novo dos gaúchos.
Não haverá boa colheita se não houver uma boa semeadura. A semente, pra germinar, precisa ser adubada, irrigada e receber todos os cuidados que lhe permitam gerar uma boa planta que dê bons e abundantes frutos. A continuar esta política de encolhimento, não colheremos uma boa safra.


Por: Luiz Fernando Mainardi

 
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