George T. Giorgis

terça-feira, 7 de outubro de 2014 às 23:06

Auschwitz: um discurso infame

Um dos fatos que revolta na visita a Auschwitz é a leitura de um discurso pronunciado pelo comandante SS Franz Hoessler quando da chegada de judeus gregos:

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"Em nome da administração do campo eu lhes dou as boas-vindas. Isto não é uma colônia de férias, mas um campo de trabalho. Assim como os soldados arriscam suas vidas na frente de combate para conquistar a vitória para o Terceiro Reich, vocês terão que trabalhar aqui para o bem-estar de uma nova Europa. Como vocês irão desempenhar essa tarefa depende de vocês. A chance existe para cada um de vocês, Vamos cuidar de sua saúde e também oferecemos trabalho bem pago. Após a guerra, vamos avaliar todos de acordo com seus méritos e trata-los adequadamente".
"Agora, por favor, tirem suas roupas. Pendurem as roupas nos cabides que nós providenciamos e, por favor, lembrem-se de seu número (no cabide). Depois de seu banho haverá uma tigela de sopa, café e chá para todos. Oh sim, antes que eu me esqueça, depois do banho, por favor, tenham seus certificados, diplomas, boletins escolares e outros documentos à mão, para que possamos empregar todos de acordo com seu treinamento e habilidade. Os diabéticos que não podem consumir açúcar comuniquem ao pessoal do campo depois do banho".
Justificado com o despiolhamento e acreditando na veracidade da arenga nazista, os prisioneiros se despiam, penduravam as roupas na antecâmara e entravam numa grande sala com chuveiros falsos, e depois de trancadas as portas da câmara, despejavam-se as cápsulas de cianeto através de buracos do teto.  Os gritos eram abafados pelas grossas paredes e pelo barulho de motocicletas que eram aceleradas no lado de fora. Os cadáveres eram levados ao crematório, sendo, contudo, milhares incinerados ao ar livre, ante a expressiva quantidade de vítimas. O ouro dos dentes era arrancado para derretimento. Os pertences dos mortos, depois de selecionados, iam para um depósito chamado "Canadá", país então símbolo de riqueza, hoje estando em mostruários com enormes vitrines.
Recorde-se que muitas vezes, após a chegada dos trens com carga humana, os judeus eram divididos em aptos para o trabalho e os incapazes, estes destinados ao extermínio, notadamente idosos, doentes, crianças e mulheres. Os que tinham condições eram empregados nas fábricas, minas e indústrias como a IG Farben, situadas nas redondezas; a Bayer comprava presos para servir de cobaias para novas drogas. As câmaras de gás funcionaram a pleno vapor entre 1941 a 1944, constituindo os israelitas 90% dos mortos em Auschwitz e Birkenau (aqui 20.000 pessoas podiam ser gaseificadas por dia).
O orador SS Franz Hoessler foi acusado de crimes contra a Humanidade e condenado, em Cracóvia.
Assim como Rudolf Höss, foi enforcado. Em Auschwitz.
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Por: José Teixeira Giorgis

 
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